Templo Suspenso


Confesso que me preparei pouco para essa viagem. Imaginava que a montanha Heng, onde fica o Templo Suspenso, seria como Emeishan (um local com vários templos ao redor), e onde seria possível explorar e conhecer sem pressa, passando vários dias. No entanto, descobri que era bem diferente. Fora o Templo Suspenso, que é maravilhoso, não havia

nada de especial na montanha e que ainda, para piorar, era completamente cercada por grandes minas de carvão.

Voltando das Cavernas de Yungang, o taxista me falou sobre Wutaishan, ou Montanha dos Cincos Picos. Já ouvira falar, mas não sabia que estava tão perto. Descobri que o único ônibus entre Datong e Wutaishan sairia no dia seguinte à 1:30 da tarde. Teria então que correr para visitar o Templo Suspenso e voltar a tempo de pegar o ônibus.

Com os novos planos, acordei cedo na manhã de sábado e peguei um taxi para o Templo Suspenso, que ficava à uma hora e meia de Datong. O taxista falava muito e ia sem pressa rumo ao Templo. O problema é que tinha que voltar rapidamente para não

 

perder o ônibus, e toda vez que desferia uma frase, o motorista reduzia dos habituais 60km/h, para 40km/h – ou seja, ou fechava a boca, ou não chegava nunca. Fingi dormir e seguimos então em ritmo mais acelerado. Ainda assim, ele parou para pedir informações umas três vezes, e para perguntar o preço de algumas frutas.

 

Chegamos uma hora e meia depois. O Templo Suspenso é impressionante. Situado na Montanha Heng, é sustentado por finos pilares de madeira a 300 metros do chão. É uma visão maravilhosa. Já havia visto esse tipo de construção em filmes, e sua forma inusitada remetia sempre a um lugar longínquo, talvez nem existente nos dias de hoje.

Mas sobre suas escoras de madeira o Templo Suspenso permanece. E hoje, como toda atração turística chinesa, está sempre lotado. Seu interior é pequeno, porém em todo seu trajeto há uma verdadeira horda de pessoas, uma atrás da outra, como boi caminhando para o matadouro. E aí, de repente, lembramo-nos de olhar para baixo: estamos a 300 metros do chão, em um prédio que Buda lá sabe quantos anos tem, apoiado somente por finas e velhas escoras de madeira. Penso ser seguro, afinal, tudo que é chinês é extremamente confiável…

Não queria ir embora, mas tinha que me apressar. O relógio marcava onze horas da manhã, e eu ainda tinha que passar no hotel, pegar minha bagagem e, além de torcer para que houvesse passagem para Wutaishan, que houvesse ônibus, pois não chequei a informação que me fora passada. E também testar a paciência junto ao motorista de taxi mais tranqüilo do nordeste asiático.

Na volta, acabei dormindo de fato, e só acordei ao pararmos ao lado de um vendedor de melancias. Tive que esperar a barganha do motorista e ajudei-o a colocar suas seis recém aquisições no porta-malas – “muito baratas e deliciosas”, comemorou. Por fim, consegui chegar à rodoviária às quinze para uma. Comprei a passagem e me acomodei para a viagem de cinco horas que viria a seguir.

3 Comentárioa

  1. Lud
    Postado em 09/24/2011 às 16:31 | Permalink

    Maravilhoso, mas confesso se nao tiver limite pra capacidade de pessoas, eu acho q eu nao subia la nao:) Ainda mais depois de ver os pauzinhos de madeira q suspendem o lugar. Covardia total!

  2. beto
    Postado em 09/27/2011 às 19:08 | Permalink

    Retornando de minha viagem estava ansioso para ver seus textos mais recentes.São verdadeiras oportunidades que você está nos concedendo de conhecer faces da China que dificilmente poderíamos imaginar que existissem . Continuo ansioso por novos relatos. Beijos.

  3. Ana
    Postado em 09/29/2011 às 12:34 | Permalink

    Nussaa, agora descobri o segredo dos chineses serem tão magrinhos, aja joelho e perna para tanta andança, rsrsr Continue aproveitando muito, bjos com saudades

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