Índia!

É com ansiedade que desembarco em Mumbai. Não só por chegar em país de cultura e história riquíssima, mas principalmente para o que considero o maior desafio de minha carreira.

Trabalhar no Barefoot Acupuncturists é um sonho iniciado há dois anos atrás, ao me deparar com o projeto navegando despretensiosamente pela internet. Fui arrebatado. Imediatamente enviei um e-mail perguntando sobre as condições e possibilidades. Eu acabara de retornar da minha primeira viagem à China e ainda havia quatro períodos de fisioterapia a concluir que impossibilitavam minha ida imediata.

Em junho do ano passado recebi um novo convite. Walter Fischer, o líder do projeto precisaria se ausentar da clínica por dois meses e pediu-me que ficasse em seu lugar em fevereiro e março desse ano. Eu ainda estaria finalizando a faculdade e era para mim impossível. Mas ao planejar minha segunda viagem para a China, mesmo não sendo conveniente, não poupei esforços para incluir Mumbai em meu roteiro. Combinei que ficaria por dois meses a partir de outubro, que se transformaram em três e podem virar quatro.

Walter me esperava no aeroporto. Pegamos um simpático sexagenário táxi para Bandra Leste, onde viverei nos próximos meses. Durante o trajeto conversamos sobre o projeto, sobre as dificuldades e expectativas. Também falamos um pouco sobre as técnicas do Dr Wang Ju Yi.

Chegamos no apartamento que é reservado aos voluntários e está situado a cinco minutos da clínica. Ao chegar, tivemos que antes acordar um sujeito que dormia à minha porta. Walter o cumprimentou e me apresentou, enquanto entrávamos. O apartamento é simples, porém muito arrumado e simpático. O primeiro cômodo é um sala que faz o papel de quarto. Na parede em frente a cama, um tecido com a imagem de Ganesha, deus hindu que tem a figura de um elefante. Sobre a cama há um cortinado. O segundo cômodo é a cozinha, ampla e boa, com geladeira e fogão. À seguir há um banheiro que é dividido em duas partes. A primeira é o local de banho. Não há chuveiro. Há torneiras, baldes e jarras. Uma das torneiras possui água quente. Na outra parte há a privada, que é no chão. Não há descarga e o sistema de eliminação é realizado com um balde.

Walter me mostrou então o sistema de água. Não há água corrente disponível por todo o dia. Uma caixa d’água se enche automaticamente quando o sistema é ligado pela manhã. Isso ainda pode ser considerado um luxo, já que a grande parte dos meus vizinhos e futuros pacientes não dispões da mesma sorte. Em suas casas não há água encanada e tudo é feito através de baldes e bacias.

Acordo no dia seguinte com Walter à minha porta. Passeamos pela região, me mostra o comércio, as pequenas lojas, restaurantes e me dá dicas para que não me adoeça com a comida. Em seguida me leva à visão geral da favela, em meio a um rio preto e podre.

Apesar de ser sábado temos compromisso. Fomos à uma reunião com representantes de uma ONG de empresários jainistas, que contruibuem para a criação da terceira clínica em Mumbai, em uma das maiores favelas da Ásia, com um milhão de habitantes. São em sua maioria joalheiros, que possuem seu negócio na favela e se dispõem a ajudar. Mahindra Jain, nos recebe em sua loja. O projeto já está adiantado e iremos encontrar com o arquiteto para definir as melhorias do lugar onde será a clínica. Antes, somos levados para uma cozinha para almoçar. Um homem de olhos claros se aproxima, pinta de vermelho nossa testa, amarra fita em meu braço direito e nos abençoa. Mahindra o paga e ele protesta, sendo então contemplado com mais algumas rupias.

Os jainistas tem uma dieta vegetariana que também proíbe tubérculos e raízes e Mahindra nos explica que esse tipo de alimento descende a energia e deve ser evitado. Comemos naan, o pão indiano e vários tipos de molhos. A comida é excelente. Levemente apimentada, mas extremamente saborosa.
Saímos e vamos ao local da futura clínica, que se encontra no primeiro andar de um sobrado. Apesar de não ser o ideal, é um bom local e os jainistas estão dispostos a contribuir com melhorias no lugar, além dos móveis e despesas. Walter e o arquiteto discordam dos valores apresentados. Ele corta despesas e reduz o custo. Mahindra nos convida para visitar seu guru no dia seguinte para recebermos a benção para começar o trabalho.

Volto para a casa e durmo. A umidade e o calor são cruéis e me exaure. Ao fim da tarde saio pelas ruas, que estão enfeitadas para um festival. O comércio está todo aberto e paro em uma loja de produtos ayurvédicos. Rakish, o dono, me fora apresentado por Walter pela manhã. Ele me convida para sentar e me mostra cuidadosamente os remédios enquanto atende um ou outro cliente. Lhe pergunto logo se há algum remédio para calvície. “É genético?”, responde. À minha resposta positiva, Rakish responde com franqueza: “É melhor economizar seu dinheiro…”.

Há um festival acontecendo, há um palco na frente da minha casa, com música e batuque. As crianças dançam e brincam. Uma mulher se aproxima. É Urjwulla, braço direito do Walter na administração da ONG. Andamos um pouco e conversamos sobre o local e a clínica. Ela se alegra quando digo que o lugar me lembra um pouco o Brasil. Adiante, pego um riquixá e me encontro com Walter para jantar.

No domingo, Mahindra nos busca para ir à cerimônia jainista. Chegamos em um galpão enorme montado em um campo. Do lado de fora uma enorme quantidade de vendedores ambulantes ofertam roupas, sapatos e todo o tipo de bugiganga que se pode imaginar. Para entrar é preciso tirar os sapatos e os deixamos em uma barraca. Vamos com pressa para dentro do galpão. La dentro, centenas de fieis vestidos em trajes vermelhos rezam diante a um palco onde está o guru.

Mahindra e seus amigos são influentes, pois avançamos e vamos direto ao guru, subimos ao palco e recebemos sua benção. Ele nos diz que conhece o projeto, sabe da importância e nos abençoa. Em seguida somos levados parar tirar fotos, temos a testa pintada e ganhamos colares e uma espécie de cachecol. Comemos em uma sala especial, um almoço vegetariano típico do sul indiano.

Sem dúvidas foi um final de semana cheio e mostra tudo o que a Índia pode oferecer. Me preparo para o início dos trabalhos na clínica, meu objetivo principal.

8 Comentárioa

  1. Lud
    Postado em 10/04/2011 às 23:16 | Permalink

    Putz! Final de semana cheio eh bobagem! Lotado, isso sim. Aproveita mesmo cada segundo e cada oportunidade q aparecer pela frente. bjo grde.

  2. Romualdo
    Postado em 10/05/2011 às 08:00 | Permalink

    Ola Amigo Alberto, muito bacana seu relato desejo muito sucesso para esse seu período ai na India e foi um prazer encontrar contigo em Pequim,espero podermos nos encotrarmos mais vezes.Abraços
    Romualdo

  3. tati miranda
    Postado em 10/05/2011 às 10:21 | Permalink

    Betinhooo, que fantastica experiencia!!!! parabéns!! sucesso e shen aberto para adquirir muitos conhecimentos!!! bjooo

  4. Mário Fialho
    Postado em 10/05/2011 às 11:04 | Permalink

    Camarada, parabéns, muito lindo e nos mantenha informado do trabalho.

  5. Postado em 10/11/2011 às 13:29 | Permalink

    Obrigado a todos. Fico feliz que estão gostando.

  6. Beto
    Postado em 10/06/2011 às 14:19 | Permalink

    Só hoje pude ver êsse têsto. Pelo visto você terá muitas oportunidades de conhecer realidades diferentesndas nossas. Desejo e espero que elas sejam proveitosas. Sucesso e beijos.
    Beto

  7. ilma
    Postado em 10/06/2011 às 14:23 | Permalink

    vc esta vivendo uma experiencia unica na sua vida.quero lhe desejar muito sucesso nessa nova etapa.e q td esta experiencia de vida q vc se propos sirva pra passar adiante com muito louvou.te amo muito bjos

  8. Mara
    Postado em 10/07/2011 às 22:49 | Permalink

    Fantástica experiencia, com certeza vc estará se auto-conhecendo vivendo essa cultura tão diferente da nossa.Estou torcendo pelo seu sucesso!!!!!!!

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