Grande Muralha


Na China, dizem que você só é um homem de verdade se tiver subido a Grande Muralha. Crenças à parte, o fato é que a Muralha é umas das maiores atrações turísticas chinesas, um local de visitação obrigatória.

Estive na Muralha há dois anos, em 2009, durante minha rápida semana em Beijing. É um local realmente fantástico. Construída para proteger a China das tribos nômades mongóis, ela serpenteia por grande parte do norte do País, e entende-se por até 5.000 Km, em trechos distintos – uns reformados, outros rústicos, e alguns em ruínas.


Ainda me lembro daquele dia em julho de 2009, em que encontramos céu nublado e muita, muita gente. Lotada de turistas, principalmente chineses, a Muralha é um passeio que mistura encanto, paciência, fôlego e resistência.

Desta vez, seria questão de tempo retornar à Muralha, e eu esperava uma data mais oportuna. A idéia inicial era visitar um trecho ao norte, provavelmente mais vazio e com estrutura menos renovada.

No entanto, o anuncio da exibição de filmes de propaganda dos anos 60, em comemoração ao aniversário de 90 anos do Partido Comunista chinês, em Badaling, mostrou-se a oportunidade perfeita para o retorno. Convoquei os colegas de república, e ainda recebemos a companhia de um amigo americano de Dimiter, Paul, que mora no Vietnã e estava de passagem por Beijing.


Pegamos o trem com destino a Badaling às 15:30, e lá chegamos uma hora depois. O dia estava claro e aberto, uma raridade por aqui. Devido ao horário, encontramos as lojinhas junto ao pé da muralha fechando, e turistas preparando-se para ir embora. O horário escolhido não poderia ter sido mais acertado – em pleno verão chinês, pegamos não só a Muralha vazia, mas também um clima agradável e ameno, o que ajuda bastante quando se tem quilômetros de escadas íngremes pela frente.


Subimos, andamos, exploramos. A Muralha parece não ter fim – pode-se passar todo o dia apenas em um trecho, e andar por horas e horas. O visual da montanha, e o impacto que ela causa nos turistas, são grandes atrativos. Nessas horas, vemos que os chineses encaram qualquer parada: crianças, idosos, todos juntos na mesma empreitada. É interessante observar também o vigor físico dos visitantes – uns sobem correndo, outros penam, e a maioria sobe lentamente, ao passo de mula.


Do ponto mais alto, assistimos ao por-do-sol e ao anoitecer. As luzes acenderam-se, provocando uma imagem ainda mais impressionante. Finalmente, já cansados, lembramos do filme e iniciamos a descida. Ao chegarmos ao ponto de partida,descobrimos que a exibição começara às 16:30, e já havia terminado. Enfim, perdemos o filme, mas na a história.

 

2 Comentárioa

  1. tati
    Postado em 09/03/2011 às 22:08 | Permalink

    momento de parar e imaginar sobre como tudo isso foi construído, o momento histórico… o hoje. uau paisagens maravilhosas existem aí…cada tijolo, desenhos, cadeados… 🙂

  2. julio
    Postado em 09/05/2011 às 13:00 | Permalink

    Que beleza hein Betinho. Valeu pelo texto. Agora é certo que um dia caminharei pelas muralhas.

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