Fim de ciclo

Muito antes que me desse conta, todos os caminhos que percorri me levavam à China. Nunca foi um sonho, não foram planos. Se há algo que possa definir destino, talvez seja esse um nome apropriado para esse percurso. De tudo que vivi e dentre as escolhas que fiz, tudo foi tão acidentalmente natural que se faz necessário negar coincidências, talvez a própria existência delas durante essa jornada.

Se existe amor à primeira vista, eu o vivi, por uma ciência, uma arte, uma medicina cuja paixão se renova dentro de mim a cada dia. Um rumo que tomei que parece ter vida própria. Ser parte deste universo, dessas infinitas possibilidades é simplesmente arrebatador. Minha alma simplesmente se deixou levar como se cumprisse um rito, uma prece. Nessa busca infinda, encontro maravilhas que não ignoro por ainda não ter chegado ao ponto final. Pelo contrário, as saboreio e me aproveito a paisagem.

Não tenho tanta imaginação para antever tantas coisas lindas que se passam em um caminho de busca profissional. Em cada agulha colocada há uma história milenar que me precede e que continua viva através de minhas mãos. E os professores que tive, os amigos que encontrei e cada infortúnio foram presentes, pérolas que guardo e que me guiam rumo a um novo desconhecido, um mundo que ainda não conheço, mas que me aguarda de braços abertos.

Aprendi a ouvir a voz do coração, que muita vezes gritara e era ignorada. Talvez seja ela uma manifestação do universo, da organização do caos ou da perturbação da ordem. Seja o que for, me move, me carrega e impulsiona.

Aqui cheguei grande, cheio, certo de tudo aquilo que sabia. Hoje sou pequeno, vazio. E como é melhor ser assim. Ciente de que do mundo à nossa volta, conheço pouco, mas ainda há tanto que se explorar. Outros mestres virão, idas e vindas, acertos e erros na vida disfarçada de errante. E errando por aí, me encontro, me descubro e me reconheço.

Comente

Seu email NÃO será compartilhado. Campos obrigatórios *