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	<title>ACTO</title>
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	<description>A ACTO tem como objetivo principal, desde seu ínicio, trabalhar na restauração da saúde mental, física e espiritual de seus clientes utilizando como instrumento as Terapias Orientais, de forma holística e individualizada.</description>
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		<title>Na maior favela da ásia</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2011 18:19:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[No meu primeiro dia na Índia, me juntei a Walter para uma reunião com representantes de uma ONG de jainistas em Dharavi, a maior favela da Ásia. O objetivo da reunião era acertar os detalhes de uma parceira com a Barefoot que visava a criação de uma clínica de acupuntura no local. Eles custeariam toda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3138.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-901" title="DSC_3138" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3138-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">No meu primeiro dia na Índia, me juntei a Walter para uma reunião com representantes de uma ONG de jainistas em Dharavi, a maior favela da Ásia. O objetivo da reunião era acertar os detalhes de uma parceira com a Barefoot que visava a criação de uma clínica de acupuntura no local. Eles custeariam toda a infra-estrutura necessária e nós com a mão de obra.</p>
<p style="text-align: justify;">As negociações já estavam avançadas e naquele dia encontramos com o arquiteto para definir as benfeitorias que seriam feitas no local. Nos encontramos na principal ruela de Dharavi, onde estão localizadas as joalharias dos jainistas. Saindo da rua principal, por um beco, nos fundos de uma delas estava nossa futura clínica.</p>
<p style="text-align: justify;">Confesso que não gostei nada do que vi.  A começar pelo acesso, uma escadaria sem corrimão. Logo disse para Walter – a primeira coisa a fazer é o corrimão – e ele acenou dizendo que já estava nos planos. Ao subir as escadas e chegando ao cômodo que seria melhorado, a visão não foi nada reconfortante. Uma verdadeira espelunca, uma sala desativada que servia de depósito de arquivos velhos com paredes escuras e sujas, pouca iluminação e quase nenhuma ventilação. Com seu jeito afável, Mahindra, um dos responsáveis da ONG tratou de nos tranquilizar: mudaremos o teto, o piso e colocaremos ventiladores. Ao saber dos custos da obra, foi a vez de Walter protestar. Teria que ficar mais barato, é um trabalho social e mesmo que o dinheiro não saísse do seu bolso, não achava justo gastar tanto. Definiu alguns cortes no orçamento e após saber do arquiteto a previsão das obras, foi acertado o dia sete de novembro como data para abertura da clínica. Era primeiro de outubro.</p>
<p style="text-align: justify;">Quatro dias depois, Walter viajou para a Europa e eu segui meu trabalho nas duas outras clínicas, de Vijay Nagar e Bandra Station. Em seu retorno, um mês depois, percebeu que as obras andavam muito lentas e a data para a inauguração virou uma incógnita.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto isso, procurei saber mais sobre Dharavi. Hoje uma favela de 1 milhão de habitantes, antigamente uma pequena vila de pescadores, a favela se formou na primeira metade do século passado, com imigrantes de outras províncias indianas, como Tamil Nadu ao sul e Uttar Pradesh no norte. Seus primeiros moradores se acomodaram sobre a região pantanosa, que inundava a cada monção – período de chuvas na Índia, que dura cerca de três meses.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma característica marcante de Dharavi é sua vocação industrial. Muito mais do que apenas um aglomerado de barracões, possui também presença imensa de industrias. Desde de simples fabriquetas caseiras de potes de cerâmicas a empresas de reciclagem de lixo e confecções. A receita gerada em Dharavi é estimada em 1 bilhão de dólares por ano.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro fato importante é a diversidade de culturas que se encontra por lá. São mulçumanos, cristãos, hindus das mais variadas províncias da Índia. Tal convivência não é tão simples e mulçumanos e hindus já se enfrentaram em 92-93 provocando um dos mais sangrentos conflitos da história de Bombaim e que dividiu vizinhos e conterrâneos de acordo com sua religião. Hoje no entanto, a favela é pacífica. Há passeios turísticos que exploram o modo de vida dos moradores e pelo que se diz a criminalidade é pequena. Mahindra nos dizia com orgulho que sua joalharia estava por ali havia três gerações e que nunca havia sido assaltada. A favela também foi tema do filme ganhador do oscar “Quem quer ser um milionário”.</p>
<p style="text-align: justify;">Após muito trabalho, a clínica finalmente estava pronta para ser inaugurada. E foi decidido que em um domingo, dia quatro de dezembro, a colocaríamos nossos pés descalços na maior favela da Ásia.  Para a abertura, uma pequena cerimônia indiana e atendimento gratuito. Toda a equipe foi convocada e eu também não ficaria de fora.</p>
<p style="text-align: justify;">Acordei cedo no domingo para encontrar Ujwala e seguir para a nova clínica, onde encontramos Walter. Ao passar pelas ruelas uma novidade: os jainistas espalharam placas de divulgação por todo o caminho. E ao chegar na clínica um choque: estava inacreditavelmente impecável! O piso de cerâmica branca, macas novas, bela recepção e um clima agradabilíssimo. Mahindra e Walter nos receberam com sorrisos que estampavam sua satisfação e seu orgulho com o lugar. Eu fiquei extasiado. A clínica está linda e eu nunca poderia imaginar que aquele cafofo visitado dois meses atrás se transformaria tanto.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3144.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-902" title="DSC_3144" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3144-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3167.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-903" title="DSC_3167" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3167-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A seguir uma grande quantidade de gente se amontoou por todos os cantos para a inauguração. Discurso aqui, acolá, equipe de televisão, político e fotógrafo profissional. Tudo que tinha direito. E claro, também pacientes, curiosos com a novidade. Ao terminar a cerimônia, dezenas de pessoas se alinharam para receber tratamento.  Enquanto nos restringíamos à sala de atendimento, Ujwala, Pooja e Baradi – esposa do acupunturista Sateesh – anotavam a queixa principal dos pacientes e estes seguiam para ser atendidos.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3316.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-910" title="DSC_3316" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3316-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3388.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-912" title="DSC_3388" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3388-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Atendemos 82 pessoas em quatro horas de trabalho. Era apenas uma demonstração para a população e uma oportunidade de falar sobre os efeitos da acupuntura. Foi um sucesso. Era fácil ver a alegria de todos os participantes no projeto. Me senti mais uma vez privilegiado por fazer parte de tudo isso. Fiquei imensamente feliz por Walter e Ujwala, por toda sua dedicação a um projeto difícil e por suas realizações. E também pelos acupunturistas indianos responsáveis pela clínica, Satish, com quem já convivo há dois meses tenho profundo respeito e admiração e  Sashi, a nova contratada da Barefoot.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3429.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-913" title="DSC_3429" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3429-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3431.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-914" title="DSC_3431" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3431-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3441.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-916" title="DSC_3441" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3441-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Finalizamos o trabalho e contamos ainda com um grande almoço oferecido pelos jainistas. Para terminar um dia perfeito, fui assistir a um show de música gazhal, depois de ver o sol se pôr no Mar  Arábico.</p>
<p style="text-align: justify;">Fatando apenas duas semanas para deixar a Índia, terei apenas mais três oportunidades de trabalhar em Dharavi, pois enquanto Walter se dedica à nova clínica, fico responsável pelas outras duas. E a Barefoot está agora na maior favela da Ásia, ampliando ainda mais seu âmbito de atuação nas partes pobres de Mumbai, nesse projeto incrível concebido por Walter Fischer e que eu sou um afortunado de poder dar minha singela contribuição.</p>
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		<title>Labutando em Bombaim</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Nov 2011 13:50:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Um mês de Índia. Tão pouco tempo, tantas coisas novas. Passei por uma verdadeira montanha russa de sensações, emoções e sentimentos. Logo quando cheguei, senti o enorme peso da responsabilidade à qual me candidatara: assumir duas clínica nas favelas de Mumbai, além de treinar e ensinar a equipe de acupunturistas indianos. A expectativa da equipe [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_2943.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-890" title="DSC_2943" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_2943-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><br />
Um mês de Índia. Tão pouco tempo, tantas coisas novas. Passei por uma verdadeira montanha russa de sensações, emoções e sentimentos. Logo quando cheguei, senti o enorme peso da responsabilidade à qual me candidatara: assumir duas clínica nas favelas de Mumbai, além de treinar e ensinar a equipe de acupunturistas indianos. A expectativa da equipe era grande e Walter Fischer, idealizador da ONG Barefoot Acupuncturists, se ausentaria por quase um mês logo após minha chegada.</p>
<p>Desembarcar em uma cidade caótica como Mumbai e ir direto à sua área menos privilegiada não foi fácil. Tive que encarar de perto uma realidade que está sempre próxima no Brasil, mas que somos ensinados a evitar. Além disso, uma quantidade de pacientes com a qual nunca havia lidado antes, com consultas realizadas por intermédio de tradutores, não foi nada fácil. Em minha primeira semana questionei meus métodos, minha formação e minha capacidade. Preocupei-me bastante em fazer o melhor trabalho que posso, mas isso não é suficiente quando os resultados não aparecem. É preciso fazer acontecer. É necessário o retorno. Isso é imprescindível para qualquer acupunturista, seja aqui, no Brasil ou na China. O medo e a insegurança nos rondam como fantasmas em uma casa assombrada. Era óbvio que não seria fácil, mas não sabia como eu me comportaria diante de tal situação. Pensei nos vários pacientes que já tratei, nos sucessos e fracassos. Ser eu mesmo e ir à luta era a única opção.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_2926.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-888" title="DSC_2926" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_2926-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Aos poucos me adaptei à rotina da clínica e consegui imprimir meu ritmo de trabalho. Reavaliei praticamente todos os pacientes que passaram por mim. Estou aos poucos ensinando meu método de avaliação para a equipe e passando minha experiência. Continua não sendo fácil. Aqui me confronto com minhas deficiências como terapeuta diariamente, e para isso só há um remédio: estudo. Abraço os livros e busco respostas e refinamento. Nesse período, o apoio à distância da família e amigos foi fundamental. Agradeço imensamente às inúmeras mensagens que recebi através do blog. A equipe da Barefoot me recebeu de braços abertos e sou muito grato pela hospitalidade e confiança depositada. Sigo firme na caminhada.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_3055.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-894" title="DSC_3055" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_3055-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Acupuntura necessita tempo. Após algumas semanas, os resultados começam a aparecer. A mudança na forma de questionamento e a constante reavaliação dos pacientes é peça chave para isso. Ao coletar o máximo de informações possível, posso, através delas, confrontar o paciente sobre seu estado prévio e o atual. A pergunta muda de “como está a dor?” para “sente dor ao caminhar, ao subir escadas?”. Parece simples e óbvio, mas nem sempre é, e ás vezes o paciente relata nenhuma melhora, mas ao ser perguntado sobre os mecanismos que desencadeiam sua queixa é que se tem uma noção mais aproximada da sua evolução. É papel do terapeuta extrair essas informações e adaptar seu tratamento conforme a progressão.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_2929.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-889" title="DSC_2929" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_2929-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Além disso, não podemos nunca desconsiderar o ambiente hostil em que essas pessoas vivem. Muito trabalho, pouco dinheiro e descanso, obesidade, clima extremamente úmido e quente e histórias de vida duríssimas. Fico feliz por poder dar algum alívio à essas pessoas.</p>
<p>Hoje sinto-me extremamente confortável trabalhando na Barefoot Acupuncturists. Chego à clínica e tudo está pronto, a clínica está limpa, os pacientes acomodados em suas macas com seus registros. Uma competente assistente que me distribui as agulhas e coloca moxa ou eletroterapia, quando necessário. E ainda soma-se o fato de não preocupar em receber dinheiro, pagar aluguel ou qualquer tipo de conta. Acho que vou ficar mal acostumado.</p>
<p>Brincadeiras à parte, é um desafio que estou desfrutando profundamente. São vários casos todos os dias, alguns realmente intrigantes. Como citei anteriormente, é um confronto diário com minhas deficiências. E que me move, me faz seguir em frente.</p>
<p>Walter acabou de chegar e conversamos sobre o funcionamento da clínica. Teci inúmeros elogios e apontei algumas mudanças que julgo necessárias, principalmente no acompanhamento dos pacientes. Pedi um feedback sobre meu trabalho também. Walter é extremamente zeloso com a Barefoot e sei que se mantinha bem informado sobre sua situação. A equipe demonstra gostar do meu jeito brincalhão e tranquilo nos momentos de ócio, e ao mesmo tempo minha seriedade quando estou com os pacientes. Ujwala, braço direito de Walter na ONG, perguntou a dois pacientes sobre o que achavam sobre o tratamento. Segundo Walter, uma relatou 99% de melhora, enquanto a outra, 95%. Nada mal. No entanto, faço isso há tempo suficiente para sempre me alegrar com os resultados positivos, mas estou ciente de que é algo que se deve buscar todos os dias e que há casos que infelizmente, o resultado não aparece de forma tão contundente. Relembramos os meus primeiros dias, de como senti o peso e a responsabilidade, e Walter revelou ter sentido receio ao ir para Europa, mas naquele ponto, não tinha mais opção. Agora, pareço ter ganhado sua confiança.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_3065.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-897" title="DSC_3065" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_3065-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Para os próximos dois meses, nada de descanso. Walter e eu prepararemos aulas para ministrar aos acupunturistas e também uma apresentação para uma ONG de médicos que está presente em 37 vilas indianas, com a qual queremos colaborar. Estou feliz em contribuir com um projeto que desejava fazer parte há muito tempo e que em retorno me faz não só um acupunturista melhor, mas também uma pessoa melhor.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_2953.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-891" title="DSC_2953" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_2953-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a></p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_3027.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-893" title="DSC_3027" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_3027-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_2988.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-892" title="DSC_2988" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_2988-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
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		<title>Sobre ignorar e esquecer</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Oct 2011 16:29:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alberto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vivo uma vida confortável em Mumbai. Moro em um pequeno apartamento próximo à favela no subúrbio de Bandra Leste. O prédio é de quatro andares e cada um possui doze apartamentos. Famílias inteiras vivem nesses pequenos espaços de dois cômodos. Já eu, moro sozinho. Possuo uma boa cozinha, que praticamente não uso. Possuo água encanada, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_879" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/315720_2538442226401_1414004142_32912969_963743213_n.jpg"><img class="size-medium wp-image-879" title="315720_2538442226401_1414004142_32912969_963743213_n" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/315720_2538442226401_1414004142_32912969_963743213_n-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Anne Biris</p></div>
<p>Vivo uma vida confortável em Mumbai. Moro em um pequeno apartamento próximo à favela no subúrbio de Bandra Leste. O prédio é de quatro andares e cada um possui doze apartamentos. Famílias inteiras vivem nesses pequenos espaços de dois cômodos. Já eu, moro sozinho. Possuo uma boa cozinha, que praticamente não uso. Possuo água encanada, mas a caixa d&#8217;água só enche uma vez por dia. O banheiro é pequeno e não possui ducha. O banho é com balde mesmo. A privada é no chão e a descarga é realizada via água de balde também.</p>
<p>Todos os dias, uma empregada passa por lá, arruma a pequena bagunça e lava as minhas roupas. Dobrando a esquina há um conjunto de lojas amontoadas onde se encontra roupas, alfaiates, celulares e todo o tipo de artigos populares. Em uma delas levo as minhas roupas, onde dois sujeitos  passam com afinco camisas e calças por  quinze centavos de real a peça.</p>
<p>Os restaurantes da região são bons e baratos. Desfrutá-los é uma forma de me familiarizar com a excelente culinária indiana. Por sete reais, é possível ter um verdadeiro banquete.</p>
<p>Para me locomover, utilizo com frequência os auto-riquixás, que são triciclos preparados para transportar passageiros. Eles estão por toda a cidade e trabalham de forma curiosa. Mesmo vazios nem sempre param para os passageiros e invariavelmente recusam a corrida. Uma viagem longa custa no máximo sessenta rupias, ou dois reais e vinte centavos.</p>
<p>A minha boa vida que seria motivo de comemoração, reflete na verdade um outro lado da moeda. Todas as bonanças a preços módicos que descrevi ainda não são acessíveis para boa parte dos indianos e nosso público-alvo em nossas clínicas. Nosso atendimento custa vinte rupias ou setenta centavos de real e ás vezes recebemos reclamações de pacientes que não podem arcar com o tratamento.</p>
<p>Se os custos são poucos, menor ainda é a renda da esmagadora maioria do país, que é assolado por uma assombrosa desigualdade social. A Índia possui três das dez pessoas mais ricas do mundo.</p>
<p>É impossível viver essa realidade e não pensar no Brasil. Há algumas centenas de metros da minha casa no Sion temos uma favela. Todos nós sabemos dos problemas do nosso país. Bradamos contra a violência, corrupção. E nos esquecemos das mazelas de nossos vizinhos próximos. Discursos reacionários condenam práticas assistencialistas direcionadas àqueles em profunda dificuldade. Todos os dias escolhemos ignorar a realidade de grande parte do nosso Brasil. Ignoramos porque temos outras prioridades, porque nossa ação só pode ser nula e pelo simples fato de poder aproveitar as bênçãos que nos foram concedidas – um vinho que custa o preço de um salário mínimo, um carro que vale o preço de uma casa.</p>
<p>Generalizo a partir do meu próprio comportamento. De quase trintas anos de ignorância consciente. O que acontece é que, ao viver imerso nessa realidade, não é possível ignorar. Não se esquece. Senti extrema tristeza aqui nos meus primeiros dias. Não só pela realidade dos indianos. Mas pela nossa. Pela minha realidade que por muito tempo escolhi ignorar, esquecer.</p>
<p>Não é minha intenção apontar culpados nem cobrar ações práticas. Essas palavras vem do coração e a resposta para o que fazer com isso, é para um mistério ainda a ser desvelado.</p>
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		<title>Na labuta e na folga</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Oct 2011 19:40:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Minha segunda semana é de transição. Marta, acupunturista espanhola que esteve por aqui três meses, está de partida. Os acupunturistas indianos retornam de férias. Já havia conhecido Megna, que trabalha pelas manhãs e tem uma técnica de inserção de agulhas excelente; Sattish, trabalha nos dias em que atendemos homens, terças e quintas, e demonstra entusiasmo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1905.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-871" title="DSC_1905" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1905-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Minha segunda semana é de transição. Marta, acupunturista espanhola que esteve por aqui três meses, está de partida. Os acupunturistas indianos retornam de férias. Já havia conhecido Megna, que trabalha pelas manhãs e tem uma técnica de inserção de agulhas excelente; Sattish, trabalha nos dias em que atendemos homens, terças e quintas, e demonstra entusiasmo, competência e enorme vontade de aprender; Geeta, que me acompanha na clínica de Bandra Station, tem enorme empatia com pacientes.</p>
<p>Desde os tempos de ambulatório na escola de acupuntura não atendia tantos pacientes e descobri algo: não consigo trabalhar sem ser meticuloso. Mesmo em um ambulatório cheio, com as dificuldades linguísticas não consigo agir de forma diferente. Ao me deparar com um paciente, procuro obter todas as informações necessárias para definir o melhor tratamento.</p>
<p>Há alguns casos sem muita resolução e de longo tratamento. Isso é normal na prática clínica. Em alguns pacientes não conseguimos os resultados esperados por uma série de fatores ao qual nos foge o controle. Isso causa enorme frustração no terapeuta, que tenta buscar explicações pelo insucesso. Nesses casos, a avaliação constante é obrigatória. Quando trabalhamos sozinhos, essa reavaliação   pode ser realizada sem registro escrito, embora não seja o ideal. No entanto, se trabalhamos em uma equipe com vários acupunturistas diferentes, o registro é a única maneira que temos para avaliar nosso progresso e entender a conduta realizada. Essa é uma ótima forma também de mostrar raciocínio clínico aos meus colegas indianos. Reavaliamos todos esses casos. Começamos pela queixa principal, história detalhada da doença e assim por diante. Insisto na questão da minúcia, que  pede tais casos. Ao tratar pacientes com dor, isso é fundamental, pois a melhora só pode ser realmente atestada pelo próprio paciente e se, não coletarmos sua história correta, corremos o risco de não conseguir avaliar sua evolução.</p>
<p>Sou muito grato à excelente equipe da Barefoot Acupuncturists. Com muita paciência, eles questionam o paciente, repetem as minhas perguntas (e algumas piadas) e juntos conseguimos extrair as questões necessárias. Em alguns casos é extremamente difícil. São vários elementos que contribuem para essa dificuldade. Os indianos possuem várias línguas e dialetos, sendo o hindi o principal. Em Mumbai a língua principal é o Marathi. Mas há pacientes que falam urdu, kachi, entre outros. Então há vezes que o paciente interage com o tradutor em hindi, que por sua vez traduz em inglês para o acupunturista brasileiro. Incrivelmente, funciona.</p>
<div id="attachment_872" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1947.jpg"><img class="size-medium wp-image-872" title="DSC_1947" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1947-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Parte da equipe: Sarah, Geeta, Urjwala, Pooja, Marta e Satish</p></div>
<p>Meu ritmo vem sendo introduzido aos poucos. Estou me adaptando à rotina de Mumbai. É uma cidade incrível. Uma megalópole do segundo país mais populoso do mundo. Muitas pessoas aqui se interessam pelo Brasil e ficam feliz ao saber que temos várias coisas em comum. O povo indiano é feliz e festivo. Apesar de ser alvo de turismo intenso, em Mumbai ainda se comemora a interação com os  estrangeiros.</p>
<p>A cidade é caótica. O trânsito é o mais confuso que já vi na vida. Caminhões, carros e riquixás motorizados disputam espaço com pedestres, ciclistas, cabras e vacas. Há uma certa harmonia curiosa nesse caótico sistema. Todo o espaço existente é ocupado e nessas duas semanas ainda não vi nenhum acidente. A buzina é sem dúvidas o componente mais importante de qualquer veículo e seu uso é incentivado por caminhoneiros – horn ok please – ou algo como buzine, por favor, estampa os pará-choques. E buzinar não é uma afronta, mas simplesmente um aviso de presença.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1895.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-870" title="DSC_1895" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1895-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Os trens urbanos são um show a parte. As estações são completamente lotadas e os trens viajam com suas portas abertas e é esse o local preferido de viagem da maioria dos passageiros. Em geral, as mulheres viajam somente no vagão exclusivo para elas, para fugir do assédio sexual que ocorre com frequência nos vagões mistos.</p>
<p>Adoro o tempo na clínica. Fico ansioso para acompanhar a evolução dos pacientes. Tratar pessoas de culturas tão diferentes é algo incrível. Atendo desde crianças de dois anos de idade até idosos de oitenta. Pacientes de burca, homens com a testa pintada, mulheres de sari, me transportam para um mundo que jamais sonhei viver. Aos poucos começo a estabelecer relações mais empáticas com os pacientes. Um dos meus pacientes favoritos é Hussain, um senhor de oitenta anos, proprietário orgulhoso de somente um rim desde 1978 e cuja única queixa é fraqueza – detalhe: ele aparenta ter sessenta anos e é completamente lúcido, uma jóia.</p>
<p>A semana é intensa e eu preciso de uma válvula de escape que a caótica Mumbai não pode oferecer. A solução está no litoral sul de Maharastra, província que tem Mumbai como capital, em Murud Janjira. À seis horas de Mumbai, passando pela odisséia de um ferry e dois ônibus, é um alívio encontrar um lugar tranquilo, por fim. De areias escuras e águas azuis, foi um prazer enorme encontrar com o mar novamente – Mumbai também está no litoral, mas suas praias não são recomendadas devido à poluição. O sul indiano é riquíssimo também em história e em Murud há dois fortes que relembram o período das grandes navegações e das invasões britânicas e portuguesas.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1957.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-873" title="DSC_1957" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1957-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<div id="attachment_859" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/01.jpg"><img class="size-medium wp-image-859" title="01" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/01-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Estrangeiros se rendem às histórias dos fortes de Murud contadas pelo grande Babasaheb Purandare.&quot;&quot;</p></div>
<p style="text-align: left;">Por sorte, Sarah, a voluntária canadense e eu, somos convidados a visitar o inacessível forte Kasai e de quebra, conhecer um dos maiores historiadores de Maharastra, Babasaheb Purandare. Esse encontro foi inclusive publicado no jornal local por Nitin Shedge, um jornalista local, amigo e guia que nos levou pelos fortes de Murud. No jamais conquistado forte Janjira, somos recebidos por um sujeito com uma toca do Brasil e que gentilmente ajuda os turistas a desembarcar. Ao final da viagem, Nitin sugere realizar uma viagem para Murud para tratar sua grande população carente. É uma idéia que me agrada profundamente.</p>
<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_874" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_2025.jpg"><img class="size-medium wp-image-874 " title="DSC_2025" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_2025-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Babasaheb gravando um documentário sobre Janjira</p></div>
<div id="attachment_876" class="wp-caption aligncenter" style="width: 210px"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_2067.jpg"><img class="size-medium wp-image-876" title="DSC_2067" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_2067-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Brasil na cabeça!</p></div>
<p>Se o sonho de trabalhar com a comunidade carente de Murud ainda é distante, perto são as favelas de Mumbai e segunda o trabalho é intenso. Conhecer o interior da Índia me renova e sigo cada vez mais empolgado.</p>
<div id="attachment_864" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/11.jpg"><img class="size-medium wp-image-864" title="11" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/11-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Nitin Shedge</p></div>
<div id="attachment_862" class="wp-caption aligncenter" style="width: 210px"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/06.jpg"><img class="size-medium wp-image-862" title="06" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/06-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Nitin Shedge</p></div>
<div id="attachment_863" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/10.jpg"><img class="size-medium wp-image-863" title="10" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/10-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Nitin Shedge</p></div>
<div id="attachment_865" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/12.jpg"><img class="size-medium wp-image-865" title="12" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/12-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Nitin Shedge</p></div>
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		<title>Primeiras Impressões</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Oct 2011 17:10:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[É sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos e enfrentamos o marasmo na clínica da Estação de trem de Bandra. Repasso a semana e organizo as idéias. Sem dúvidas, foi uma semana intensa. Cheguei cedo na clínica na segunda-feira, ansioso para começar o trabalho. Atrás de uma pequena porta de ferro, está a Barefoot Acupuncturists de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1846.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-846" title="DSC_1846" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1846-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">É sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos e enfrentamos o marasmo na clínica da Estação de trem de Bandra. Repasso a semana e organizo as idéias. Sem dúvidas, foi uma semana intensa.</p>
<p style="text-align: justify;">Cheguei cedo na clínica na segunda-feira, ansioso para começar o trabalho. Atrás de uma pequena porta de ferro, está a Barefoot Acupuncturists de Bandra – favela de Mumbai, uma clínica organizada e relativamente confortável. Os pacientes se acumulam na sala de espera enquanto nos preparamos. Walter dirige o lugar com mãos de ferro e observa cada detalhe – “ Essas cadeiras devem ficar enfileiradas&#8230;”, diz enquanto as organiza. Lembrando de sua viagem no dia seguinte, me avisa que eu devo ser responsável por zelar que a clínica fique em ordem durante sua ausência. Mostra orgulhoso o espaço, composto por cinco macas, uma pequena sala de espera e uma copa. À exceção das cadeiras, tudo estava em ordem e começo conhecendo a assistente, Pooja, que acumula as funções de assistente, secretária, tira-agulhas e tradutora. Em seguida conheço Marta, acupunturista espanhola que está no projeto há três meses e também Megna, uma acupunturista indiana que é a responsável pela clínica.</p>
<p style="text-align: justify;">Logo começamos o trabalho. Minha primeira paciente é uma menina de apenas dois anos com dores de cabeça temporais. Ainda conectado ao ritmo tranquilo e metódico do Dr Wang, trabalho tranquilamente se sem pressa, observando e questionando sinais e sintomas, fazendo palpação de canais. Enquanto isso, Marta e Megna correm por todos os lados. Após atender um paciente, Walter se junta a mim. Com olhar examinador, pergunta sobre tudo que faço, desde a escolha dos pontos à manipulação das agulhas. Por ser novo na clínica, recebo os casos antigos  (e em geral sem muita resolução). Bom, se é para funcionar, devo começar tudo novamente e questioná-los como se fosse a primeira que vez.</p>
<p style="text-align: justify;">Não me sinto confortável, confesso. Acostumado ao meu ritmo e minha própria rotina em meu consultório, ser questionado assim não me agrada. É uma questão complexa. Walter criou a forma de trabalho, metodologia e sua prática há anos. Eu estou recém-chegado, turbinado pelo modo polêmico de praticar Medicina Chinesa do Dr Wang. É natural ser visto com desconfiança. Que não é proveniente somente do chefe, mas também da equipe e dos pacientes. E como Medicina Chinesa nem sempre é tiro e queda, só o trabalho e os resultados apagarão esse receio inicial.</p>
<p style="text-align: justify;">Às duas, acabamos o trabalho na clínica de Bandra. Atendemos ao todo vinte e três pacientes. Depois do almoço, um novo turno começa na Clínica da Estação de Trem de Bandra, localizada a dois metros da linha de trem. Enquanto a outra clínica é exemplo de organização, essa é o avesso. Localizada na favela, temos a companhia de uma família inteira que mora em sua porta. O lugar é muito sujo e não há banheiro com água corrente. Aqui nossa realidade se aproxima dos nossos pacientes.</p>
<p style="text-align: justify;">A favela da Estação de Trem de Bandra cerca o terminal de mesmo nome. São pequenos barracos acomodados ao lado dos trilhos. O trem, ao passar, cria grande alvoroço, movimenta pessoas, crianças, cabras, galinhas e cachorros. Walter me leva para uma caminhada em seu interior. Me explica a situação da clínica e as dificuldades encontradas para prospectar pacientes. Os moradores ali falam hindi e urdu, além das barreiras culturais. Enquanto ele fala, minha mente divaga à condição miserável que encontro. Me impacta, me marca. É um dos lugares mais miseráveis que já fui. Ao voltarmos, penso na situação brasileira e nas nossas favelas, tão distantes e ao mesmo tempo, tão próximas e semelhantes.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1871.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-849" title="DSC_1871" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1871-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">No dia seguinte fico mais solto para trabalhar e o faço de forma mais desenvolta. Me despreocupo com as explicações e busco meu estilo, minha forma de trabalho. Aos poucos vou me soltando e o trabalho ocorre de forma mais tranquila. Analiso os principais problemas e desafios. Em muitos casos, temos uma situação muito parecida com as encontradas em favelas e periferias brasileiras. Casos de obesidade acompanhados por disfunções ortopédicas crônicas são os campeões nas fichas de consulta. Uma outra questão é a vida dura que nossos pacientes enfrentam todos os dias. Isso não é algo que se transforma somente com a Acupuntura, mas espero que nosso trabalho seja um pequeno alívio na vida sofrida desse povo simpático e acolhedor. Sei que não resolve e que passa longe do problema principal, mas oferecemos nossa singela contribuição, para que mude pelo menos o dia ou a semana dos nossos pacientes.</p>
<p style="text-align: justify;">Na quarta estamos sem Walter, que rumou para uma curta temporada na Bélgica. Tocamos a clínica com afinco e mantemos o ritmo. Vou me acostumando com os pacientes, com a nova rotina e com os novos colegas, tão importantes não somente na tradução linguística, mas também cultural, como em sua brilhante técnica de avaliar a melhora, relacionando a dor ao dinheiro – “se ficar bom é ter uma rupia (moeda indiana), quanto falta para melhorar?” ao qual o paciente responde: “vinte e cinco centavos” e a tradução chega como: “setenta e cinco por cento de melhora”; simplesmente perfeito.</p>
<p style="text-align: justify;">Se os dias são de muito trabalho, as noites são de festas. Há um festival homenageando um dos muitos deuses venerados na religião hindu. As ruas estão enfeitadas com luzes coloridas e flores e há um palco literalmente em frente à minha casa. Desço para a festa e danço com toda a rua em uma  espécie de quadrilha onde cada grupo de amigos improvisa seus passos no ritmo da canção temperada de batuques executada por uma pomposa banda. Se Mumbai é uma cidade cosmopolita e seus moradores mais abastados conhecem bem o ocidente, em Bandra um ocidental é novidade  e eles ficam extremamente empolgados com minha presença.</p>
<p style="text-align: justify;">Na quinta é feriado, mas abrimos a clinica para abençoar o trabalho. Os aparelhos e materiais são colocados e abençoados em um ritual que conta com frutas, legumes e flores. Me pedem para quebrar um côco e jogar sobre os materiais em cima da mesa. Quebro o côco e faço a festa, jogando água por tudo quanto é lado, para depois perceber os aparelhos de eletroacupuntura, os livros; mas o que é benção não há de prejudicar. Toda a cidade está enfeitada de flores e a clinica também. Recebo de Urjwala flores para colocar também na porta de minha casa.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1878.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-850" title="DSC_1878" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1878-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1908.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-852" title="DSC_1908" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1908-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Nos dias seguintes sigo meu trabalho com mais segurança. Sei o que faço e procuro colocar em prática o conhecimento acumulado. A empreitada não é fácil e trabalhar em um ambiente que não favorece em nada a melhora do paciente é um desafio tão grandioso quanto excitante.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1953.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-853" title="DSC_1953" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1953-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a></p>
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		<title>Índia!</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Oct 2011 19:48:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[É com ansiedade que desembarco em Mumbai. Não só por chegar em país de cultura e história riquíssima, mas principalmente para o que considero o maior desafio de minha carreira. Trabalhar no Barefoot Acupuncturists é um sonho iniciado há dois anos atrás, ao me deparar com o projeto navegando despretensiosamente pela internet. Fui arrebatado. Imediatamente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1742.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-831" title="DSC_1742" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1742-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>É com ansiedade que desembarco em Mumbai. Não só por chegar em país de cultura e história riquíssima, mas principalmente para o que considero o maior desafio de minha carreira.</p>
<p>Trabalhar no Barefoot Acupuncturists é um sonho iniciado há dois anos atrás, ao me deparar com o projeto navegando despretensiosamente pela internet. Fui arrebatado. Imediatamente enviei um e-mail perguntando sobre as condições e possibilidades. Eu acabara de retornar da minha primeira viagem à China e ainda havia quatro períodos de fisioterapia a concluir que impossibilitavam minha ida imediata.</p>
<p>Em junho do ano passado recebi um novo convite. Walter Fischer, o líder do projeto precisaria se ausentar da clínica por dois meses e pediu-me que ficasse em seu lugar em fevereiro e março desse ano. Eu ainda estaria finalizando a faculdade e era para mim impossível. Mas ao planejar minha segunda viagem para a China, mesmo não sendo conveniente, não poupei esforços para incluir Mumbai em meu roteiro. Combinei que ficaria por dois meses a partir de outubro, que se transformaram em três e podem virar quatro.</p>
<p>Walter me esperava no aeroporto. Pegamos um simpático sexagenário táxi para Bandra Leste, onde viverei nos próximos meses. Durante o trajeto conversamos sobre o projeto, sobre as dificuldades e  expectativas. Também falamos um pouco sobre as técnicas do Dr Wang Ju Yi.</p>
<p>Chegamos no apartamento que é reservado aos voluntários e está situado a cinco minutos da clínica. Ao chegar, tivemos que antes acordar um sujeito que dormia à  minha porta. Walter o cumprimentou e me apresentou, enquanto entrávamos. O apartamento é simples, porém muito arrumado e simpático. O primeiro cômodo é um sala que faz o papel de quarto. Na parede em frente  a cama, um tecido com a imagem de Ganesha, deus hindu que tem a figura de um elefante. Sobre a cama há um cortinado. O segundo cômodo é a cozinha, ampla e boa, com geladeira e fogão. À seguir há um banheiro que é dividido em duas partes. A primeira é o local de banho. Não há chuveiro. Há torneiras, baldes e jarras. Uma das torneiras possui água quente. Na outra parte há a privada, que é no chão. Não há descarga e o sistema de eliminação é realizado com um balde.</p>
<p>Walter me mostrou então o sistema de água. Não há água corrente disponível por todo o dia. Uma caixa d&#8217;água se enche automaticamente quando o sistema é ligado pela manhã. Isso ainda pode ser considerado um luxo, já que a grande parte dos meus vizinhos e futuros pacientes não dispões da mesma sorte. Em suas casas não há água encanada e tudo é feito através de baldes e bacias.</p>
<p>Acordo no dia seguinte com Walter à minha porta. Passeamos pela região, me mostra o comércio, as pequenas lojas, restaurantes e me dá dicas para que não me adoeça com a comida. Em seguida me leva à visão geral da favela, em meio a um rio preto e podre.</p>
<p>Apesar de ser sábado temos compromisso. Fomos à uma reunião com representantes de uma ONG de empresários jainistas, que contruibuem para a criação da terceira clínica em Mumbai, em uma das maiores favelas da Ásia, com um milhão de habitantes. São em sua maioria joalheiros, que possuem seu negócio na favela e se dispõem a ajudar. Mahindra Jain, nos recebe em sua loja. O projeto já está adiantado e iremos encontrar com o arquiteto para definir as melhorias do lugar onde será a clínica. Antes, somos levados para uma cozinha para almoçar.  Um homem de olhos claros se aproxima, pinta de vermelho nossa testa, amarra fita em meu braço direito e nos abençoa. Mahindra o paga e ele protesta, sendo então contemplado com mais algumas rupias.</p>
<p>Os jainistas tem uma dieta vegetariana que também proíbe tubérculos e raízes e Mahindra nos explica que esse tipo de alimento descende a energia e deve ser evitado. Comemos naan, o pão indiano e vários tipos de molhos. A comida é excelente. Levemente apimentada, mas extremamente saborosa.<br />
Saímos e vamos ao local da futura clínica, que se encontra no primeiro andar de um sobrado. Apesar de não ser o ideal, é um bom local e os jainistas estão dispostos a contribuir com melhorias no lugar, além dos móveis e despesas. Walter e o arquiteto discordam dos valores apresentados.  Ele corta despesas e reduz o custo. Mahindra nos convida para visitar seu guru no dia seguinte para recebermos a benção para começar o trabalho.</p>
<p>Volto para a casa e durmo. A umidade e o calor são cruéis e me exaure. Ao fim da tarde saio pelas ruas, que estão enfeitadas para um festival. O comércio está todo aberto e paro em uma loja de produtos ayurvédicos. Rakish, o dono, me fora apresentado por Walter pela manhã. Ele me convida para sentar e me mostra cuidadosamente os remédios enquanto atende um ou outro cliente. Lhe pergunto logo se há algum remédio para calvície. “É genético?”, responde. À minha resposta positiva, Rakish responde com franqueza: “É melhor economizar seu dinheiro&#8230;”.</p>
<p>Há um festival acontecendo, há um palco na frente da minha casa, com música e batuque. As crianças dançam e brincam. Uma mulher se aproxima. É Urjwulla, braço direito do Walter na administração da ONG. Andamos um pouco e conversamos sobre o local e a clínica. Ela se alegra quando digo que o lugar me lembra um pouco o Brasil. Adiante, pego um riquixá e me encontro com Walter para jantar.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1800.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-835" title="DSC_1800" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1800-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1802.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-834" title="DSC_1802" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1802-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>No domingo, Mahindra nos busca para ir à cerimônia jainista. Chegamos em um galpão enorme montado em um campo. Do lado de fora uma enorme quantidade de vendedores ambulantes ofertam roupas, sapatos e todo o tipo de bugiganga que se pode imaginar. Para entrar é preciso tirar os sapatos e os deixamos em uma barraca. Vamos com pressa para dentro do galpão. La dentro, centenas de fieis vestidos em trajes vermelhos rezam diante a um palco onde está o guru.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1814.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-836" title="DSC_1814" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1814-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1821.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-837" title="DSC_1821" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1821-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1838.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-839" title="DSC_1838" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1838-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Mahindra e seus amigos são influentes, pois avançamos e vamos direto ao guru, subimos ao palco e recebemos sua benção. Ele nos diz que conhece o projeto, sabe da importância e nos abençoa. Em seguida somos levados parar tirar fotos, temos a testa pintada e ganhamos colares e uma espécie de cachecol. Comemos em uma sala especial, um almoço vegetariano típico do sul indiano.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1845.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-840" title="DSC_1845" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1845-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a></p>
<p>Sem dúvidas foi um final de semana cheio e mostra tudo o que a Índia pode oferecer. Me preparo para o início dos trabalhos na clínica, meu objetivo principal.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1831.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-838" title="DSC_1831" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1831-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
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		<title>No topo do nordeste da China</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Sep 2011 09:23:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Cheguei em Wutaishan à noite. A vila é extremamente interessante. Predios baixos e quadrados, com seus contornos adornados por luzes neon brilhantes. De repente parecia estar em pleno natal. O clima não era só natalino, mas também montanhoso e senti frio de verdade na China pela primeira vez. Encontrei uma pequena pousada pela módica quantia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_07671.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-809" title="DSC_0767" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_07671-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Cheguei em Wutaishan à noite. A vila é extremamente interessante. Predios baixos e quadrados, com seus contornos adornados por luzes neon brilhantes. De repente parecia estar em pleno natal. O clima não era só natalino, mas também montanhoso e senti frio de verdade na China pela primeira vez. Encontrei uma pequena pousada pela módica quantia de dez reais por noite e sai em busca de um lugar para jantar e uma blusa de frio.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_06981.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-806" title="DSC_0698" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_06981-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Sendo uma vila turística, são inúmeras as lojas de souvenires, restaurantes e hotéis. Jantei em um excelente restaurante vegetariano e caminhei pela cidade à noite, em busca de informações sobre como melhor fazer a caminhada pela montanha. Em tempo: esperava que Wutaishan fosse como Emeishan*, com inúmeros caminhos bem definidos e uma infinidade de templos para se visitar durante o trajeto e dormir, se necessário. Não era bem assim. Embora esses templos e caminhos também existissem, seria preciso passar muito tempo em estradas, o que não havia em Wutaishan. A dificuldade então era definir por onde começar.</p>
<p>São cinco picos, por isso Wutai Shan, ou montanha dos cinco picos. São nomeados de acordo com sua localização. Norte, Sul, Leste, Oeste e Central. Com tantas escolhas e sem falar um bom chinês não era fácil decidir. Quando entendia o que o outro falava, ás vezes me dizia que era impossível ir &#8211; “muito frio, muito longe” e quando parecia que me dava de fato dicas, ás vezes me eram incompreensíveis. Decidi começar pelos templos situados na base das montanhas e obter informações por lá.</p>
<p>Acordei cedo em um belíssimo dia de domingo. Céu azul, poucas nuvens, frio e excitação. Me apressei para tomar o café, um pão chinês com um suco de uma fruta local e também frutas como banana e caqui. Pela experiência de outras caminhadas no Brasil, sei que no frio e no exercício intenso, não há melhor remédio para o final do dia do que uma boa aguardente. Comprei um baijiu, uma aguardente chinesa que me serveria para aliviar as dores e aquecer durante as noites frias montanhosas.</p>
<p>Parti para o templo  Taiyuan, cartão postal de Wutai, começando a jornada. Com uma mochila grande, câmera fotográfica, gorro e minha extravagante nova aquisição, uma jaqueta roxa – a mais discreta de todas disponíveis, acreditem – era impossível não chamar atenção. Praticamente não vi turistas estrangeiros e por onde passava era requisitado para fotos e olhado com um misto de espanto e admiração.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_07331.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-807" title="DSC_0733" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_07331-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Pelas ruas se ouvia uma repetição da mesma música, um cântico budista que ecoava por todas as lojas de incensos e artigos religiosos. Pelas pequenas ruas ainda se via vendedores de castanhas, de pequenos talismãs, monges e muitos turistas. Já na porta do templo, fui abordado por dois monges tibetanos. Com uma dificuldade ainda maior de comunicação do que com os demais, conseguimos conversar o suficiente para dizer que eu era brasileiro, estudava Acupuntura e morava em Beijing. Eles estavam viajando e eram de uma província vizinha ao Tibete. Dong An e Qü Yin então me convidaram para acompanhá-los e convenceram ao monge-porteiro do templo que entrasse junto a eles, sem pagar entrada. Eles também estavam ali como turistas e tudo era novidade para os três. A cada lugar que passávamos, explicavam detalhadamente e eu, claro, não entendia absolutamente nada. A caminhada estava muito agradável. Não planejei permanecer ali por tanto tempo, mas ter como guias dois monges tibetanos em um mosteiro budista não é coisa que se acontece sempre. Segui seu ritmo, sempre sem pressa e visitamos todo templo. Ao final, disse que gostaria de começar minha caminhada pelo Pico Oeste, sendo prontamente desaconselhado com um motivo que meu mandarim falhou em captar. Sugeriram que começasse pelo Pico Sul e de lá fizesse todo o trajeto. Seriam três dias de caminhada na montanha, passando por todos os picos. Eu tinha que voltar na terça até o meio dia e seria tempo suficiente.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_07351.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-808" title="DSC_0735" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_07351-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a><br />
Os dois bons monges me levaram até a estrada onde deveria começar a caminhar, tendo inclusive pegado o ônibus comigo até lá. Passei meu telefone para eles e disse que se fossem em Beijing, que me ligassem. Quase um mês depois, os dois passariam um final de semana em minha casa, causando grande confusão.</p>
<p>Agora só, continuei a caminhada em uma estrada de asfalto rumo ao Pico Sul. No caminho, templos , flores e nuvens carregadas com seus trovões. Isso me preocupava, pois se quisesse passar por todos os picos, deveria ao menos atingir o cume sul ainda neste dia. Não adiantava correr, no entanto. Montanha se sobre como jegue, devagar e sempre. Tirava fotos pelo caminho e me fingia indiferente à ameaça de chuva, que logo se confirmou como verdadeira. Saquei o guarda-chuvas e segui em frente, chegando à uma pequena parada com restaurantes improvisados onde termina a estrada e começa o caminho, que é de concreto e bem feito, bem ao estilo de Emei.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_07801.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-810" title="DSC_0780" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_07801-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Era quase duas da tarde e aproveitei para almoçar. Pedi macarrão com frango xadrez e chá. A chuva havia se transformado em um temporal e vários peregrinos se acumulavam debaixo da pequena barraca de lona. O jeito era esperar e lá fiquei até que a chuva cessasse, duas horas depois.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_07981.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-812" title="DSC_0798" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_07981-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Segui resiliente na caminhada, descansado pela parada e bem alimentado. O dia estava próximo do fim e havia perdido duas horas importantes devido à chuva. O morro era íngreme e subia as escadas com tranquilidade. No caminho, gente de todo o tipo: crianças, adultos e velhos, cada um em seu ritmo, mas sempre na certeza do chegar.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_07931.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-811" title="DSC_0793" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_07931-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Em pouco tempo atinjo um templo do Buda na Caverna. Um construção linda, no meio de um cenário paradisíaco. Sigo sem parar, pois queria atingir o pico sul ainda em tempo. A caminhada se torna mais agradável pois o caminho que antes era de concreto e em escadas, agora é de terra e chão batido. Continuo e passo por uma obra chefiada por um monge, no que será futuramente um hotel. Olha para cima e vejo o Pico Sul, perto, o sol baixa rápido, mas ainda havia bastante tempo. Subo sem pressa. Me canso, paro e sigo. Muito perto da onde a vista alcança, encontro um chinês caminhando sozinho, como eu. Más notícias. Havia acabado de passar pelo pico Sul. Não havia mais lugar para dormir e não há nada ao redor. O cair da noite era eminente e a decisão foi tomada rápidamente. Retornar ao templo do Buda na Caverna e tentar abrigo por lá.</p>
<p>Nesse meio tempo, mais conversa. O novo amigo falava um pouco de inglês, assim como falo chinês. A passos largos, me contou como estava de mudança para Austrália em novembro e que gostava muito de falar inglês. No templo da Caverna, mais más notícias. Não havia lugar para dormir. Meu amigo quis insistir e eu já me direcionei para descer e retornar até Wutai. Se ganha algumas e perde outras&#8230;</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_08131.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-813" title="DSC_0813" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_08131-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Chegamos em Wutai já de noite. Arrumamos uma pousada barata e por lá passamos a noite. O sujeito me levou à um restaurante onde vi uma das coisas mais impressionantes da minha vida. Um robô que faz macarrão. Corta a massa e joga direto na panela. Brilhante. Comi o macarrão do robô e  me preparei para recomeçar tudo no dia seguinte. Andei pelas ruas da vila e me senti muito confortável e feliz.</p>
<p><object style="height: 390px; width: 640px;" width="640" height="360"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/3w1wktx-Ih4?version=3" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="360" src="http://www.youtube.com/v/3w1wktx-Ih4?version=3" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
<p>Não perdi tempo na manhã seguinte. Macarrão do robô de café da manhã e um táxi até o Pico Leste.   Taxis sempre são minha última escolha em transportes em viagens, mas não havia sentido caminhar por tanto tempo em uma estrada de asfalto e queria estar na montanha logo. O taxi me deixou a dois quilômetros do templo do Pico Leste e de lá consegui uma carona. Cheguei ao templo, enorme e de lá pude ver o Pico Norte e o Central. Fotos, reza e pé na estrada.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_08511.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-814" title="DSC_0851" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_08511-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>A próxima parada seria o Pico Norte. Caminhei por uma estrada pequena, de calçamento de concreto, na crista da serra entre os dois picos. Tentei pegar algumas caronas, mas sem sucesso. Segui caminhando aproveitando a belíssima paisagem e a proximidade das nuvens.</p>
<p>O Pico Norte é o mais alto e se situa a 3053 metros acima do nível do mar e para chegar até lá, a estrada se torna sinuosa e levemente íngreme. Cheguei com tranquilidade. O céu estava incrivelmente azul. O templo é maravilhoso e gigantesco. Andei pelo templo, conversei com as pessoas e tirei fotos. O relógio marcava quatro horas da tarde. Titubeei se iria ou não para o Pico Central, que estava bem em minha frente. Temia chegar por lá e estar lotado, como no Pico Sul, no dia anterior, mas conversando com os monges, me disseram que lá não correria esse risco.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_09711.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-816" title="DSC_0971" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_09711-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Turbinando a canela novamente, segui para o Pico Central. Foi uma caminhada tranquila e por todo o tempo via a enorme parede do templo em minha frente. Era uma visão cinematográfica. Parecia um forte. Enquanto andava impressionado com a beleza do lugar, a calmaria no entanto foi interrompida por três cães, que sugiram de repente. Quando me dei conta de sua presença, já estavam em minha frente e rosnavam contra mim. Parei e fiquei alguns minutos com a cabeça baixa. Eles não avançaram. Ignorei os dentes cerrados e segui. Ao fundo escutava latidos mas não olhava para trás. Foi um susto enorme. Munido agora pela adrenalina, rapidamente cheguei ao topo.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_10271.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-817" title="DSC_1027" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_10271-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Ao chegar um espanto: o templo estava em construção, com cinco caminhões de cimento, duas escavadeiras. Foi um balde de água fria. Qual o sentindo de caminhar tanto e chegar em um local totalmente revirado por máquinas? O templo era de fato muito bonito, mas estava completamente em reformas. Mas fiquei muito frustrado e quis retornar para a vila. Não queria passar a noite por lá, no meio das máquinas e dos caminhões. Fui recebido por um sujeito atacarrado, simpático, com um longo bigode que me levou até o monge responsável. Ele então me avisou que haveria um carro somente no dia seguinte pela manhã. O jeito era esperar. Tinha que pegar o ônibus no dia seguinte por volta de uma hora da tarde.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_10371.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-818" title="DSC_1037" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_10371-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Sem opção, deixei minhas coisas em um grande quarto com vários colchões conjugados. Vesti minha roupa de frio e lancei mão da aguardente de arroz e fui para um quadrado situado à beira de um abismo, onde os monges colocam várias bandeirolas coloridas. Sentei na beira de uma de suas pontas e me pus a observar o pôr-do-sol. Aos poucos, comecei a sentir uma paz enorme. Estava em um dos lugares mais altos do nordeste da China. A neblina chegou e omitiu não somente o sol, mas toda a paisagem caótica da construção. É difícil colocar em palavras o que senti ali. Tive momentos de catarse intensa e senti uma plenitude enorme. Chorei muito ao pensar em todo os eventos que culminaram naquele momento. As escolhas, os erros, os acertos. Como a vida se acertou e se desenrolou para que chegasse àquele ponto. Me senti um afortunado por estar em um lugar tão inóspito e remoto; por poder ir em lugares onde nunca havia sonhado estar e principalmente, por conseguir estudar aquilo que amo e ter tido a felicidade de encontrar bons mestres e construir um bom caminho. Senti uma gratidão enorme aos sacrifícios e dificuldades enfrentados pelos meus pais, em todo o processo que me levou até lá; e aos pacientes, por sempre me motivarem a buscar mais e ampliar minha inesgotável sede de conhecimento.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_10701.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-819" title="DSC_1070" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_10701-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>O sol se foi e não sentia vontade de sair de lá. Ventava forte e frio. Então o mesmo sujeito atarracado apareceu para me chamar para jantar. Disse que tinha procurado em todos os cantos por mim. A plenitude do coração constratava então com o vazio do estômago e fomos rapidamente para a cozinha. Um grupo de peregrinos havia chegado sem que me desse conta. Comemos um delicioso jantar de arroz, macarrão, vegetais, pão e um refogado de batata. Ao término da janta, avisei que iria retornar ao quadrado. Um monge se ofereceu para ir comigo.</p>
<p>Chegamos novamente ao quadrado e já era noite negra. Conversamos um pouco, dentro das barreiras lingüísticas que nos separavam. Me contou que era de Guanzhou e que eu deveria ir até lá para conhecer seu mestre. Em momento me mostrou o céu e pela primeira vez desde que cheguei a China, o vi completamente estrelado. As luzes e a poluição pequinesa tiraram me o hábito de olhar para a cima e por semanas não havia nem mesmo visto a lua. Fazia muito frio e retornamos ao quarto. Antes de dormir, me ensinou a meditar e me disse que o fizesse todos os dias, pelas manhãs e a noite. Que como um acupunturista deveria pensar nos pacientes, em minhas técnicas e que isso se refletiria em meu trabalho, pois poderia então antecipar problemas e resolvê-los facilmente durante o dia a dia. Meditei até quanto pude e dormi em seguida. Como a flor de lótus, que nasce em esplendor no pântano, tive a experiência espiritual que queria no local menos esperado.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_10731.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-820" title="DSC_1073" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_10731-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>No dia seguinte, peguei o carro até a vila de Wutai, de onde peguei o ônibus para Beijing. Antes, fui assediado como um artista de cinema. Vários chineses na porta de um templo se enfileiravam para tirar foto comigo. Uns não quiseram nem correr o risco de ficar sem o registro, tiravam sem pose sem permissão, sem preparo.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_10971.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-821" title="DSC_1097" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_10971-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Saí feliz e renovado para retornar à Beijing e continuar meu treinamento, depois das oito horas dentro do ônibus Wutai – Beijing.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mais fotos no link: <a href="https://www.facebook.com/media/set/?set=a.205523389515675.50710.100001740451817&amp;l=af9d24bc77&amp;type=1">https://www.facebook.com/media/set/?set=a.205523389515675.50710.100001740451817&amp;l=af9d24bc77&amp;type=1</a></p>
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		<title>Templo Suspenso</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Sep 2011 18:12:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Acupuntura]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem à China]]></category>

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		<description><![CDATA[Confesso que me preparei pouco para essa viagem. Imaginava que a montanha Heng, onde fica o Templo Suspenso, seria como Emeishan (um local com vários templos ao redor), e onde seria possível explorar e conhecer sem pressa, passando vários dias. No entanto, descobri que era bem diferente. Fora o Templo Suspenso, que é maravilhoso, não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_0600.jpg"><img class="size-large wp-image-718 aligncenter" style="border-style: initial; border-color: initial;" title="DSC_0600" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_0600.jpg" alt="" width="614" height="409" /></a></p>
<div><span style="color: #0000ee;"><span style="color: #000000;"><br />
</span></span></div>
<p>Confesso que me preparei pouco para essa viagem. Imaginava que a montanha Heng, onde fica o Templo Suspenso, seria como Emeishan (um local com vários templos ao redor), e onde seria possível explorar e conhecer sem pressa, passando vários dias. No entanto, descobri que era bem diferente. Fora o Templo Suspenso, que é maravilhoso, não havia</p>
<p>nada de especial na montanha e que ainda, para piorar, era completamente cercada por grandes minas de carvão.</p>
<p>Voltando das Cavernas de Yungang, o taxista me falou sobre Wutaishan, ou Montanha dos Cincos Picos. Já ouvira falar, mas não sabia que estava tão perto. Descobri que o único ônibus entre Datong e Wutaishan sairia no dia seguinte à 1:30 da tarde. Teria então que correr para visitar o Templo Suspenso e voltar a tempo de pegar o ônibus.</p>
<p><img class="aligncenter size-large wp-image-719" style="border-style: initial; border-color: initial;" title="DSC_0612" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_0612.jpg" alt="" width="614" height="409" /></p>
<p>Com os novos planos, acordei cedo na manhã de sábado e peguei um taxi para o Templo Suspenso, que ficava à uma hora e meia de Datong. O taxista falava muito e ia sem pressa rumo ao Templo. O problema é que tinha que voltar rapidamente para não</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>perder o ônibus, e toda vez que desferia uma frase, o motorista reduzia dos habituais 60km/h, para 40km/h &#8211; ou seja, ou fechava a boca, ou não chegava nunca. Fingi dormir e seguimos então em ritmo mais acelerado. Ainda assim, ele parou para pedir informações umas três vezes, e para perguntar o preço de algumas frutas.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p>Chegamos uma hora e meia depois. O Templo Suspenso é impressionante. Situado na Montanha Heng, é sustentado por finos pilares de madeira a 300 metros do chão. É uma visão maravilhosa. Já havia visto esse tipo de construção em filmes, e sua forma inusitada remetia  sempre a um lugar longínquo, talvez nem existente nos dias de hoje.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_0646.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-721" title="DSC_0646" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_0646.jpg" alt="" width="614" height="409" /></a></p>
<p>Mas sobre suas escoras de madeira o Templo Suspenso permanece. E hoje, como toda atração turística chinesa, está sempre lotado. Seu interior é pequeno, porém em todo seu trajeto há uma verdadeira horda de pessoas, uma atrás da outra, como boi caminhando para o matadouro. E aí, de repente, lembramo-nos de olhar para baixo: estamos a 300 metros do chão, em um prédio que Buda lá sabe quantos anos tem, apoiado somente por finas e velhas escoras de madeira. Penso ser seguro, afinal, tudo que é chinês é extremamente confiável&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_0641.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-712" title="DSC_0641" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_0641.jpg" alt="" width="614" height="409" /></a></p>
<p>Não queria ir embora, mas tinha que me apressar. O relógio marcava onze horas da manhã, e eu ainda tinha que passar no hotel, pegar minha bagagem e, além de torcer para que houvesse passagem para Wutaishan, que houvesse ônibus, pois não chequei a informação que me fora passada. E também testar a paciência junto ao motorista de taxi mais tranqüilo do nordeste asiático.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_0633.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-710" title="DSC_0633" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_0633.jpg" alt="" width="614" height="409" /></a></p>
<p>Na volta, acabei dormindo de fato, e só acordei ao pararmos ao lado de um vendedor de melancias. Tive que esperar a barganha do motorista e ajudei-o a colocar suas seis recém aquisições no porta-malas – “muito baratas e deliciosas”, comemorou. Por fim, consegui chegar à rodoviária às quinze para uma. Comprei a passagem e me acomodei para a viagem de cinco horas que viria a seguir.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_0615.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-720" title="DSC_0615" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_0615.jpg" alt="" width="614" height="409" /></a></p>
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		<title>Cavernas de Yungang</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Sep 2011 15:39:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Fazia frio em Datong. E como cheguei de madrugada, me impressionei com a feiúra da cidade – sua economia é baseada na exploração do carvão e combina suntuosos hotéis com prédios horríveis e muita sujeira. Apesar de ser uma cidade menor, não há casas tradicionais e a nova onda parece ser a construção de grandes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_0492.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-698" title="DSC_0492" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_0492-1024x682.jpg" alt="" width="614" height="409" /></a></p>
<p>Fazia frio em Datong. E como cheguei de madrugada, me impressionei com a feiúra da cidade – sua economia é baseada na exploração do carvão e combina suntuosos hotéis com prédios horríveis e muita sujeira. Apesar de ser uma cidade menor, não há casas tradicionais e a nova onda parece ser a construção de grandes condomínios o que deixa a cidade sem nenhuma personalidade.</p>
<p>Mas a riqueza e beleza de Datong não está em suas minas de carvão e tampouco em seus hotéis de cinco estrelas. Em seu entorno há duas atrações turísticas incríveis &#8211;  As cavernas de Yungang e o Templo Suspenso.</p>
<p>Em meu primeiro dia em Datong, fui para as cavernas de Yungang. Iniciado no ano de 453, sua construção se deu devido às constantes perseguições sofridas pelas budistas da época. O trabalho é impressionante. São mais de 51.000 estátuas escavadas nos rochedos de arenito, que impressionam ora pelo tamanho, ora pela complexidade.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_0532.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-704" title="DSC_0532" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_0532-1024x682.jpg" alt="" width="614" height="409" /></a></p>
<p>Um detalhe em particular me chama a atenção: todo o lugar, desde as cavernas e até mesmo o trabalho artístico possui uma estética bastante diferente das mais comumente encontradas na China. É possível reconhecer logo uma influência persa e indiana – as cavernas lembram imagens do Afeganistão e as esculturas são mais próximas do modo indiano de expressão. Algumas possuíam um trabalho rico em ornamentos, que me lembrou o barroco rococó mineiro.</p>
<p>É impossível não se perder no tempo nesse lugar maravilhoso. Imagino como era quando ainda não tinha parques ao redor, portões de entrada e seguranças, quando era apenas um lugar inóspito. Mas é bom saber que as minas de carvão de Datong não engoliram o paraíso.</p>
<p>Para mais ver mais fotos: <a href="https://www.facebook.com/media/set/?set=a.201379013263446.49223.100001740451817&amp;l=92f8c2ded9&amp;type=1" target="_blank">https://www.facebook.com/media/set/?set=a.201379013263446.49223.100001740451817&amp;l=92f8c2ded9&amp;type=1</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_0506.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-700" title="DSC_0506" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_0506-1024x682.jpg" alt="" width="614" height="409" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Expresso para Datong*</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Sep 2011 05:36:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Já no metrô, conferi o horário da passagem de trem. Estava marcada para 8 e 40, e não 8 e 20 da noite, como havia imaginado. Saí com antecedência e isso me concedia ainda mais tempo antes da partida. Havia sido um dia bastante corrido e ironicamente , consegui relaxar no metrô lotado na hora [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_0183_01.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-693" title="DSC_0183_01" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/09/DSC_0183_01-1024x682.jpg" alt="" width="614" height="409" /></a></p>
<p><span style="color: #000000;">Já no metrô, conferi o horário da passagem de trem. Estava marcada para 8 e 40, e não 8 e 20 da noite, como havia imaginado. Saí com antecedência e isso me concedia ainda mais tempo antes da partida. Havia sido um dia bastante corrido e ironicamente</span><span style="font-size: xx-small;"><span style="color: #000000;"> </span></span><span style="color: #000000;">, consegui relaxar no metrô lotado na hora do rush.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #000000;">Cheguei a</span><span style="font-size: xx-small;"><span style="color: #000000;"><!-- Regência errada. Quem chega, chega “a”, e não “na”; no caso, com crase. --></span></span><span style="color: #000000;"> enorme estação de trem sul de Pequim, que impressiona pelo tamanho – parece um aeroporto. Dirigi à praça de alimentação e pedi um kaifan de porco, ou simplesmente porco sobre arroz. A garçonete insistiu para</span><span style="font-size: xx-small;"><span style="color: #000000;"><!-- Regência - insistiu para --></span></span><span style="color: #000000;"> que eu bebesse cerveja, mas recusei, dando preferência a</span><span style="font-size: xx-small;"><span style="color: #000000;"><!-- Palavra masculina nunca é precedida de crase. --></span></span><span style="color: #000000;"> um chá gelado. O prato chegou rapidamente, porém, sem a qualidade dos pequenos restaurantes dos hutongs. Comi sem pressa e cheguei a</span><span style="font-size: xx-small;"><span style="color: #000000;"><!-- Regência errada do verbo chegar. --></span></span><span style="color: #000000;"> vagão apenas cinco minutos antes da partida do trem.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #000000;">Foi como entrar em uma feira livre.</span><span style="font-size: xx-small;"><span style="color: #000000;"><!-- Usar conectores(preposições)  para unir orações subordinadas, ou travessão, ou dois pontos. --></span></span><span style="color: #000000;"> Pessoas em pé, adultos se</span><span style="font-size: xx-small;"><span style="color: #000000;"><!-- Caso de ênclise, não próclise. --></span></span><span style="color: #000000;"> amontoando com crianças e muita conversa. Minha presença não passou desapercebida.</span><span style="font-size: xx-small;"><span style="color: #000000;"><!-- Orações subordinadas não podem ser separadas por ponto final. --></span></span><span style="color: #000000;"> Me</span><span style="font-size: xx-small;"><span style="color: #000000;"><!-- Não se usa próclise no inicio da oração. --></span></span><span style="color: #000000;"> olhavam com curiosidade e sorriam ao meu cumprimento. Os chineses não têm qualquer pudor em encarar</span><span style="font-size: xx-small;"><span style="color: #000000;"><!-- Em encarar; ou “e encaram”. --></span></span><span style="color: #000000;"> diretamente as pessoas e minha resposta a isso é sempre um Ni hao (olá), que é recebido geralmente com um sorriso e um alô  de retorno. Nesses casos, me</span><span style="font-size: xx-small;"><span style="color: #000000;"><!-- Não é caso de próclise, mas de ênclise. --></span></span><span style="color: #000000;"> perguntam de onde sou, há quanto tempo estou aqui e o que faço. Nesse</span><span style="font-size: xx-small;"><span style="color: #000000;"><!-- Repetição de termos. --></span></span><span style="color: #000000;"> momento sempre elogiam meu mandarim e ironicamente, é aí que a conversa acaba.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #000000;">As crianças tem uma curiosidade especial e me</span><span style="font-size: xx-small;"><span style="color: #000000;"><!-- Ênclise, não próclise. --></span></span><span style="color: #000000;"> olham, ora com sorrisos, ora com medo. Brinco e mostro a língua, seus país sorriem e encorajam a interação. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #000000;">O trem era velho e o vagão possuía poltronas de dois e três lugares de assentos duros e não reclináveis separados por uma mesa de lanche. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #000000;">No desconforto, o trem parte e também o vagão se movimenta. Passageiros transitam por entre os carros em busca de um melhor assento. Alguns se acumulam nas extremidades dos vagões para fumar – o cigarro é proibido, mas isso não é nenhum impedimento, nem motivo de preocupação ou incômodo. Nessa mesma área, uns se sentam de cócoras, jogam cartas e bebem cerveja. Nesse mesmo local</span><span style="font-size: xx-small;"><span style="color: #000000;"><!-- repetição --></span></span><span style="color: #000000;">, há duas pias e um banheiro. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #000000;"><!-- não se usa próclise no inicio da frase. --></span><span style="color: #000000;">Sempre me impressiono com  a capacidade chinesa de cochilar. Já havia notado isso no metrô, nas lojas, em ônibus, mas o ápice foi uma mulher cochilando em cima da pia e ainda de cócoras, sem apoio! O tempo passa, o trem segue lento, e aos poucos os passageiros são tomados pelo sono. O silêncio é interrompido de tempos em tempos por um funcionário da companhia de trem que passa aos gritos vendendo frutas, bebidas e lanches. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #000000;"><!-- Ênclise, não próclise. --></span><span style="color: #000000;"> Tento me esforçar para dormir, mas o desconforto fala mais alto. As luzes estão sempre acesas e leio Fausto, de Goethe.  De estação em estação, o trem pára, novos passageiros entram e a ação recomeça. Por fim adormeço e e chego em</span><span style="font-size: xx-small;"><span style="color: #000000;"><!-- Regência do verbo chegar é “a” --></span></span><span style="color: #000000;"> Datong às duas da manhã.  Vou para o hotel e me</span><span style="font-size: xx-small;"><span style="color: #000000;"><!-- Caso de ênclise. --></span></span><span style="color: #000000;"> preparo para a aventura sem fim que é viajar pelo interior chinês.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #000000;">* Esse é o primeiro de uma série de posts sobre minha viagem a Datong e Wutaishan.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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