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	<title>ACTO</title>
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	<description>A ACTO tem como objetivo principal, desde seu ínicio, trabalhar na restauração da saúde mental, física e espiritual de seus clientes utilizando como instrumento as Terapias Orientais, de forma holística e individualizada.</description>
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		<title>Revista Medicina Chinesa Brasil</title>
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		<pubDate>Fri, 11 May 2012 05:52:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alberto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Edição digital da Revista Medicina Chinesa Brasil -06. Artigo meu sobre a vivência nas favelas da Índia e o trabalho na Barefoot Acupuncturists. http://www.ebramec.com.br/revistamcb61.htm &#160; &#160;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Edição digital da Revista Medicina Chinesa Brasil -06. Artigo meu sobre a vivência nas favelas da Índia e o trabalho na Barefoot Acupuncturists.</p>
<p><a href="http://www.ebramec.com.br/revistamcb61.htm" target="_blank">http://www.ebramec.com.br/revistamcb61.htm</a></p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2012/05/Captura-de-tela-2012-05-11-às-13.36.57.png"><img class="aligncenter size-full wp-image-970" title="Captura de tela 2012-05-11 às 13.36.57" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2012/05/Captura-de-tela-2012-05-11-às-13.36.57.png" alt="" width="530" height="699" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Congresso Brasileiro De Medicina Chinesa</title>
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		<pubDate>Fri, 11 May 2012 05:25:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alberto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Convido a todos para o Congresso Brasileiro de Medicina Chinesa, onde ministrarei a palestra &#8220;Palpação de Canais de Wang Ju Yi&#8221;. &#160;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Convido a todos para o Congresso Brasileiro de Medicina Chinesa, onde ministrarei a palestra &#8220;Palpação de Canais de Wang Ju Yi&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2012/05/550306_300758973326810_100001781294581_695007_20050437_n.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-968" title="550306_300758973326810_100001781294581_695007_20050437_n" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2012/05/550306_300758973326810_100001781294581_695007_20050437_n.jpg" alt="" width="867" height="540" /></a></p>
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		<title>Encontro Nacional de Profissionais e Estudantes de Acupuntura &#8211; ENAPEA SP</title>
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		<pubDate>Fri, 11 May 2012 05:22:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alberto</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Participação via skype direto da China no Encontro Nacional de Profissionais e Estudantes de Acupuntura &#8211; ENAPEA SP.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2012/05/enapea-sp.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-963" title="enapea sp" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2012/05/enapea-sp.jpg" alt="" width="457" height="632" /></a></p>
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		<title>Encontro Nacional de Profissionais e Estudantes de Acupuntura &#8211; ENAPEA PE</title>
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		<pubDate>Fri, 11 May 2012 05:18:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alberto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Participação via skype direto da China no Encontro Nacional de Profissionais e Estudantes de Acupuntura &#8211; ENAPEA PE.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Participação via skype direto da China no Encontro Nacional de Profissionais e Estudantes de Acupuntura &#8211; ENAPEA PE.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2012/05/enape.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-965" title="enape" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2012/05/enape.jpg" alt="" width="1000" height="867" /></a></p>
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		<title>Minha Índia</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Feb 2012 15:52:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Após a inauguração de Dharavi, me restava apenas uma semana e meia na Índia. Walter estava ocupado na nova clínica e com ele, Satish, Sashi, Geeta e Pooja. Na clínica de Vijay Nagar, em Bandra, eu e Megna tocávamos o barco. Ao contrário das primeiras semanas, já me sentia completamente à vontade. Conhecia a maioria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2012/02/384867_241380629263284_100001740451817_588638_1463698383_n.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-929" title="384867_241380629263284_100001740451817_588638_1463698383_n" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2012/02/384867_241380629263284_100001740451817_588638_1463698383_n-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Após a inauguração de Dharavi, me restava apenas uma semana e meia na Índia. Walter estava ocupado na nova clínica e com ele, Satish, Sashi, Geeta e Pooja. Na clínica de Vijay Nagar, em Bandra, eu e Megna tocávamos o barco. Ao contrário das primeiras semanas, já me sentia completamente à vontade. Conhecia a maioria dos pacientes pelo nome e conseguia me virar sozinho com alguns usando a mistura de hindi e marathi que aprendi.</p>
<p>Depois de quase três meses trabalhando nas favelas indianas, conhecendo seus problemas, seus moradores, já me sentia parte de tudo aquilo. Passei a circular por Mumbai com tranquilidade e a autoridade de quem sabe aonde vai, e a cidade que antes me assustava pelo caos e pela pobreza passou a me encantar pela beleza de seus pequenos detalhes. O cotidiano indiano, o ritmo frenético que a cidade tem contrasta com o jeito afável de seus habitantes, e é algo ainda me intriga, mas julgo ser fundamental para o funcionamento de uma megalópole como Bombaim. Era sempre muito bem tratado pelos curiosos indianos e ao cumprimentá-los e conversar um pouco em hindi/marathi eu conquistava sua admiração.</p>
<p>Na favela de Vijay Nagar esse respeito era ampliado. Todos sabiam por que eu estava ali. Me comprimentavam na rua, ganhava quitutes de vizinhos e sempre era abordado para uma conversa. Tentava retribuir com atenção, com apreço e com um sorriso quase que onipresente estampado no rosto. Eu estava muito feliz de estar lá. Propus-me a fazer um trabalho, aceitei um desafio e, chegando ao seu fim, havia cumprido meu papel. Tivemos bons resultados com os pacientes, pude passar aos colegas indianos minha experiência e fizemos um intercâmbio de cultura, de medicina chinesa e alegria. Meus pacientes já haviam se acostumado comigo. Estabelecemos uma relação de confiança que foi conquistada por bons resultados. Queriam que eu ficasse e eu confesso que deixei uma parte de meu coração com eles. Eu tenho um enorme respeito pelos pacientes e sou enormemente grato por receber sua confiança, por colocarem em minhas mãos sua saúde e fazerem de mim um instrumento de propagação da ciência que amo. Poder aliviar suas mazelas e contribuir para que haja uma melhora em suas vidas é um privilégio que me foi por eles concedido.  E são os pacientes a razão de tudo isso. De viajar meio mundo em busca de algo que não sabia o que era, de me expor perante a novos colegas, de buscar o melhor tratamento, das horas suadas de trabalho e por todo o esforço.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2012/02/387714_224384074296273_100001740451817_546799_1290521490_n.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-930" title="387714_224384074296273_100001740451817_546799_1290521490_n" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2012/02/387714_224384074296273_100001740451817_546799_1290521490_n-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>E valeu a pena. Porque quando vejo um paciente como Badrudin chegando à clínica, com largo sorriso e fazendo piadas, me lembro de quando o vi pela primeira vez, com dores no joelho, sem trabalhar há 8 meses devido à perda de força. Agora, estava novamente forte, havia retomado o trabalho em meio período e quando perguntado sobre seu estado a resposta vinha em confiante inglês: “ First class!”.  E houve outros, como Prakash, que agora estava sem dores na coluna. Como Leena, sempre a primeira a chegar à clínica e que havia melhorado das dores nas articulações por artrite reumatóide. São Rameshs, Santoshs, Philomenas, Shabunas. São pessoas que tem na Barefoot Acupuncturists a única forma de alívio. Que já passaram por vários outros tratamentos e finalmente encontravam resultado. Ser para essas pessoas referência já justifica todo o esforço.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2012/02/317672_224380500963297_100001740451817_546762_432293858_n.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-926" title="317672_224380500963297_100001740451817_546762_432293858_n" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2012/02/317672_224380500963297_100001740451817_546762_432293858_n-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Na clínica da Estação de trem de Bandra há um grande contraste. Ao contrário da novíssima e linda clínica de Dharavi e da também arrumada clínica de Vijay Nagar, é suja, sem água e pequena. É localizada em uma espécie de centro comunitário que recebe uma escola pelas manhãs e serve de local de velório para a comunidade. A maior parte da população ali é mulçumana e recebemos mulheres de burca, a vestimenta negra que cobre todo o corpo e rosto das mulheres islâmicas. No ínicio fui recebido com desconfiança, mas, ao final, era festejado por todas. As mulheres, que inicialmente recusavam ser atendidas por homens, ao final desvelavam por baixo da pesada veste negra trajes coloridos e sorrisos doces.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2012/02/375342_241378255930188_100001740451817_588625_2058847680_n.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-927" title="375342_241378255930188_100001740451817_588625_2058847680_n" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2012/02/375342_241378255930188_100001740451817_588625_2058847680_n-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Minha experiência na Índia chega ao fim, mas serei eternamente marcado por ela. Pela cultura, pelas barreiras e pelas conquistas. Pelo trabalho de lutar por uma assistência médica de qualidade e disseminar o acesso da acupuntura à população mais necessitada. Carrego comigo essa responsabilidade, essa vivência. E serei sempre um acupunturista descalço. Um dia retornarei e espero poder contribuir ainda mais com essa organização fantástica que me orgulho de fazer parte.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2012/02/383601_241381395929874_100001740451817_588641_1192053471_n.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-928" title="383601_241381395929874_100001740451817_588641_1192053471_n" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2012/02/383601_241381395929874_100001740451817_588641_1192053471_n-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
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		<title>Na maior favela da ásia</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2011 18:19:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alberto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No meu primeiro dia na Índia, me juntei a Walter para uma reunião com representantes de uma ONG de jainistas em Dharavi, a maior favela da Ásia. O objetivo da reunião era acertar os detalhes de uma parceira com a Barefoot que visava a criação de uma clínica de acupuntura no local. Eles custeariam toda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3138.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-901" title="DSC_3138" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3138-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">No meu primeiro dia na Índia, me juntei a Walter para uma reunião com representantes de uma ONG de jainistas em Dharavi, a maior favela da Ásia. O objetivo da reunião era acertar os detalhes de uma parceira com a Barefoot que visava a criação de uma clínica de acupuntura no local. Eles custeariam toda a infra-estrutura necessária e nós com a mão de obra.</p>
<p style="text-align: justify;">As negociações já estavam avançadas e naquele dia encontramos com o arquiteto para definir as benfeitorias que seriam feitas no local. Nos encontramos na principal ruela de Dharavi, onde estão localizadas as joalharias dos jainistas. Saindo da rua principal, por um beco, nos fundos de uma delas estava nossa futura clínica.</p>
<p style="text-align: justify;">Confesso que não gostei nada do que vi.  A começar pelo acesso, uma escadaria sem corrimão. Logo disse para Walter – a primeira coisa a fazer é o corrimão – e ele acenou dizendo que já estava nos planos. Ao subir as escadas e chegando ao cômodo que seria melhorado, a visão não foi nada reconfortante. Uma verdadeira espelunca, uma sala desativada que servia de depósito de arquivos velhos com paredes escuras e sujas, pouca iluminação e quase nenhuma ventilação. Com seu jeito afável, Mahindra, um dos responsáveis da ONG tratou de nos tranquilizar: mudaremos o teto, o piso e colocaremos ventiladores. Ao saber dos custos da obra, foi a vez de Walter protestar. Teria que ficar mais barato, é um trabalho social e mesmo que o dinheiro não saísse do seu bolso, não achava justo gastar tanto. Definiu alguns cortes no orçamento e após saber do arquiteto a previsão das obras, foi acertado o dia sete de novembro como data para abertura da clínica. Era primeiro de outubro.</p>
<p style="text-align: justify;">Quatro dias depois, Walter viajou para a Europa e eu segui meu trabalho nas duas outras clínicas, de Vijay Nagar e Bandra Station. Em seu retorno, um mês depois, percebeu que as obras andavam muito lentas e a data para a inauguração virou uma incógnita.</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto isso, procurei saber mais sobre Dharavi. Hoje uma favela de 1 milhão de habitantes, antigamente uma pequena vila de pescadores, a favela se formou na primeira metade do século passado, com imigrantes de outras províncias indianas, como Tamil Nadu ao sul e Uttar Pradesh no norte. Seus primeiros moradores se acomodaram sobre a região pantanosa, que inundava a cada monção – período de chuvas na Índia, que dura cerca de três meses.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma característica marcante de Dharavi é sua vocação industrial. Muito mais do que apenas um aglomerado de barracões, possui também presença imensa de industrias. Desde de simples fabriquetas caseiras de potes de cerâmicas a empresas de reciclagem de lixo e confecções. A receita gerada em Dharavi é estimada em 1 bilhão de dólares por ano.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro fato importante é a diversidade de culturas que se encontra por lá. São mulçumanos, cristãos, hindus das mais variadas províncias da Índia. Tal convivência não é tão simples e mulçumanos e hindus já se enfrentaram em 92-93 provocando um dos mais sangrentos conflitos da história de Bombaim e que dividiu vizinhos e conterrâneos de acordo com sua religião. Hoje no entanto, a favela é pacífica. Há passeios turísticos que exploram o modo de vida dos moradores e pelo que se diz a criminalidade é pequena. Mahindra nos dizia com orgulho que sua joalharia estava por ali havia três gerações e que nunca havia sido assaltada. A favela também foi tema do filme ganhador do oscar “Quem quer ser um milionário”.</p>
<p style="text-align: justify;">Após muito trabalho, a clínica finalmente estava pronta para ser inaugurada. E foi decidido que em um domingo, dia quatro de dezembro, a colocaríamos nossos pés descalços na maior favela da Ásia.  Para a abertura, uma pequena cerimônia indiana e atendimento gratuito. Toda a equipe foi convocada e eu também não ficaria de fora.</p>
<p style="text-align: justify;">Acordei cedo no domingo para encontrar Ujwala e seguir para a nova clínica, onde encontramos Walter. Ao passar pelas ruelas uma novidade: os jainistas espalharam placas de divulgação por todo o caminho. E ao chegar na clínica um choque: estava inacreditavelmente impecável! O piso de cerâmica branca, macas novas, bela recepção e um clima agradabilíssimo. Mahindra e Walter nos receberam com sorrisos que estampavam sua satisfação e seu orgulho com o lugar. Eu fiquei extasiado. A clínica está linda e eu nunca poderia imaginar que aquele cafofo visitado dois meses atrás se transformaria tanto.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3144.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-902" title="DSC_3144" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3144-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3167.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-903" title="DSC_3167" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3167-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A seguir uma grande quantidade de gente se amontoou por todos os cantos para a inauguração. Discurso aqui, acolá, equipe de televisão, político e fotógrafo profissional. Tudo que tinha direito. E claro, também pacientes, curiosos com a novidade. Ao terminar a cerimônia, dezenas de pessoas se alinharam para receber tratamento.  Enquanto nos restringíamos à sala de atendimento, Ujwala, Pooja e Baradi – esposa do acupunturista Sateesh – anotavam a queixa principal dos pacientes e estes seguiam para ser atendidos.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3316.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-910" title="DSC_3316" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3316-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3388.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-912" title="DSC_3388" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3388-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Atendemos 82 pessoas em quatro horas de trabalho. Era apenas uma demonstração para a população e uma oportunidade de falar sobre os efeitos da acupuntura. Foi um sucesso. Era fácil ver a alegria de todos os participantes no projeto. Me senti mais uma vez privilegiado por fazer parte de tudo isso. Fiquei imensamente feliz por Walter e Ujwala, por toda sua dedicação a um projeto difícil e por suas realizações. E também pelos acupunturistas indianos responsáveis pela clínica, Satish, com quem já convivo há dois meses tenho profundo respeito e admiração e  Sashi, a nova contratada da Barefoot.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3429.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-913" title="DSC_3429" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3429-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3431.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-914" title="DSC_3431" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3431-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3441.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-916" title="DSC_3441" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC_3441-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Finalizamos o trabalho e contamos ainda com um grande almoço oferecido pelos jainistas. Para terminar um dia perfeito, fui assistir a um show de música gazhal, depois de ver o sol se pôr no Mar  Arábico.</p>
<p style="text-align: justify;">Fatando apenas duas semanas para deixar a Índia, terei apenas mais três oportunidades de trabalhar em Dharavi, pois enquanto Walter se dedica à nova clínica, fico responsável pelas outras duas. E a Barefoot está agora na maior favela da Ásia, ampliando ainda mais seu âmbito de atuação nas partes pobres de Mumbai, nesse projeto incrível concebido por Walter Fischer e que eu sou um afortunado de poder dar minha singela contribuição.</p>
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		<title>Labutando em Bombaim</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Nov 2011 13:50:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alberto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um mês de Índia. Tão pouco tempo, tantas coisas novas. Passei por uma verdadeira montanha russa de sensações, emoções e sentimentos. Logo quando cheguei, senti o enorme peso da responsabilidade à qual me candidatara: assumir duas clínica nas favelas de Mumbai, além de treinar e ensinar a equipe de acupunturistas indianos. A expectativa da equipe [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_2943.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-890" title="DSC_2943" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_2943-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><br />
Um mês de Índia. Tão pouco tempo, tantas coisas novas. Passei por uma verdadeira montanha russa de sensações, emoções e sentimentos. Logo quando cheguei, senti o enorme peso da responsabilidade à qual me candidatara: assumir duas clínica nas favelas de Mumbai, além de treinar e ensinar a equipe de acupunturistas indianos. A expectativa da equipe era grande e Walter Fischer, idealizador da ONG Barefoot Acupuncturists, se ausentaria por quase um mês logo após minha chegada.</p>
<p>Desembarcar em uma cidade caótica como Mumbai e ir direto à sua área menos privilegiada não foi fácil. Tive que encarar de perto uma realidade que está sempre próxima no Brasil, mas que somos ensinados a evitar. Além disso, uma quantidade de pacientes com a qual nunca havia lidado antes, com consultas realizadas por intermédio de tradutores, não foi nada fácil. Em minha primeira semana questionei meus métodos, minha formação e minha capacidade. Preocupei-me bastante em fazer o melhor trabalho que posso, mas isso não é suficiente quando os resultados não aparecem. É preciso fazer acontecer. É necessário o retorno. Isso é imprescindível para qualquer acupunturista, seja aqui, no Brasil ou na China. O medo e a insegurança nos rondam como fantasmas em uma casa assombrada. Era óbvio que não seria fácil, mas não sabia como eu me comportaria diante de tal situação. Pensei nos vários pacientes que já tratei, nos sucessos e fracassos. Ser eu mesmo e ir à luta era a única opção.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_2926.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-888" title="DSC_2926" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_2926-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Aos poucos me adaptei à rotina da clínica e consegui imprimir meu ritmo de trabalho. Reavaliei praticamente todos os pacientes que passaram por mim. Estou aos poucos ensinando meu método de avaliação para a equipe e passando minha experiência. Continua não sendo fácil. Aqui me confronto com minhas deficiências como terapeuta diariamente, e para isso só há um remédio: estudo. Abraço os livros e busco respostas e refinamento. Nesse período, o apoio à distância da família e amigos foi fundamental. Agradeço imensamente às inúmeras mensagens que recebi através do blog. A equipe da Barefoot me recebeu de braços abertos e sou muito grato pela hospitalidade e confiança depositada. Sigo firme na caminhada.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_3055.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-894" title="DSC_3055" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_3055-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Acupuntura necessita tempo. Após algumas semanas, os resultados começam a aparecer. A mudança na forma de questionamento e a constante reavaliação dos pacientes é peça chave para isso. Ao coletar o máximo de informações possível, posso, através delas, confrontar o paciente sobre seu estado prévio e o atual. A pergunta muda de “como está a dor?” para “sente dor ao caminhar, ao subir escadas?”. Parece simples e óbvio, mas nem sempre é, e ás vezes o paciente relata nenhuma melhora, mas ao ser perguntado sobre os mecanismos que desencadeiam sua queixa é que se tem uma noção mais aproximada da sua evolução. É papel do terapeuta extrair essas informações e adaptar seu tratamento conforme a progressão.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_2929.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-889" title="DSC_2929" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_2929-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Além disso, não podemos nunca desconsiderar o ambiente hostil em que essas pessoas vivem. Muito trabalho, pouco dinheiro e descanso, obesidade, clima extremamente úmido e quente e histórias de vida duríssimas. Fico feliz por poder dar algum alívio à essas pessoas.</p>
<p>Hoje sinto-me extremamente confortável trabalhando na Barefoot Acupuncturists. Chego à clínica e tudo está pronto, a clínica está limpa, os pacientes acomodados em suas macas com seus registros. Uma competente assistente que me distribui as agulhas e coloca moxa ou eletroterapia, quando necessário. E ainda soma-se o fato de não preocupar em receber dinheiro, pagar aluguel ou qualquer tipo de conta. Acho que vou ficar mal acostumado.</p>
<p>Brincadeiras à parte, é um desafio que estou desfrutando profundamente. São vários casos todos os dias, alguns realmente intrigantes. Como citei anteriormente, é um confronto diário com minhas deficiências. E que me move, me faz seguir em frente.</p>
<p>Walter acabou de chegar e conversamos sobre o funcionamento da clínica. Teci inúmeros elogios e apontei algumas mudanças que julgo necessárias, principalmente no acompanhamento dos pacientes. Pedi um feedback sobre meu trabalho também. Walter é extremamente zeloso com a Barefoot e sei que se mantinha bem informado sobre sua situação. A equipe demonstra gostar do meu jeito brincalhão e tranquilo nos momentos de ócio, e ao mesmo tempo minha seriedade quando estou com os pacientes. Ujwala, braço direito de Walter na ONG, perguntou a dois pacientes sobre o que achavam sobre o tratamento. Segundo Walter, uma relatou 99% de melhora, enquanto a outra, 95%. Nada mal. No entanto, faço isso há tempo suficiente para sempre me alegrar com os resultados positivos, mas estou ciente de que é algo que se deve buscar todos os dias e que há casos que infelizmente, o resultado não aparece de forma tão contundente. Relembramos os meus primeiros dias, de como senti o peso e a responsabilidade, e Walter revelou ter sentido receio ao ir para Europa, mas naquele ponto, não tinha mais opção. Agora, pareço ter ganhado sua confiança.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_3065.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-897" title="DSC_3065" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_3065-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Para os próximos dois meses, nada de descanso. Walter e eu prepararemos aulas para ministrar aos acupunturistas e também uma apresentação para uma ONG de médicos que está presente em 37 vilas indianas, com a qual queremos colaborar. Estou feliz em contribuir com um projeto que desejava fazer parte há muito tempo e que em retorno me faz não só um acupunturista melhor, mas também uma pessoa melhor.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_2953.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-891" title="DSC_2953" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_2953-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a></p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_3027.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-893" title="DSC_3027" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_3027-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_2988.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-892" title="DSC_2988" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC_2988-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
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		<title>Sobre ignorar e esquecer</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Oct 2011 16:29:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alberto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vivo uma vida confortável em Mumbai. Moro em um pequeno apartamento próximo à favela no subúrbio de Bandra Leste. O prédio é de quatro andares e cada um possui doze apartamentos. Famílias inteiras vivem nesses pequenos espaços de dois cômodos. Já eu, moro sozinho. Possuo uma boa cozinha, que praticamente não uso. Possuo água encanada, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_879" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/315720_2538442226401_1414004142_32912969_963743213_n.jpg"><img class="size-medium wp-image-879" title="315720_2538442226401_1414004142_32912969_963743213_n" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/315720_2538442226401_1414004142_32912969_963743213_n-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Anne Biris</p></div>
<p>Vivo uma vida confortável em Mumbai. Moro em um pequeno apartamento próximo à favela no subúrbio de Bandra Leste. O prédio é de quatro andares e cada um possui doze apartamentos. Famílias inteiras vivem nesses pequenos espaços de dois cômodos. Já eu, moro sozinho. Possuo uma boa cozinha, que praticamente não uso. Possuo água encanada, mas a caixa d&#8217;água só enche uma vez por dia. O banheiro é pequeno e não possui ducha. O banho é com balde mesmo. A privada é no chão e a descarga é realizada via água de balde também.</p>
<p>Todos os dias, uma empregada passa por lá, arruma a pequena bagunça e lava as minhas roupas. Dobrando a esquina há um conjunto de lojas amontoadas onde se encontra roupas, alfaiates, celulares e todo o tipo de artigos populares. Em uma delas levo as minhas roupas, onde dois sujeitos  passam com afinco camisas e calças por  quinze centavos de real a peça.</p>
<p>Os restaurantes da região são bons e baratos. Desfrutá-los é uma forma de me familiarizar com a excelente culinária indiana. Por sete reais, é possível ter um verdadeiro banquete.</p>
<p>Para me locomover, utilizo com frequência os auto-riquixás, que são triciclos preparados para transportar passageiros. Eles estão por toda a cidade e trabalham de forma curiosa. Mesmo vazios nem sempre param para os passageiros e invariavelmente recusam a corrida. Uma viagem longa custa no máximo sessenta rupias, ou dois reais e vinte centavos.</p>
<p>A minha boa vida que seria motivo de comemoração, reflete na verdade um outro lado da moeda. Todas as bonanças a preços módicos que descrevi ainda não são acessíveis para boa parte dos indianos e nosso público-alvo em nossas clínicas. Nosso atendimento custa vinte rupias ou setenta centavos de real e ás vezes recebemos reclamações de pacientes que não podem arcar com o tratamento.</p>
<p>Se os custos são poucos, menor ainda é a renda da esmagadora maioria do país, que é assolado por uma assombrosa desigualdade social. A Índia possui três das dez pessoas mais ricas do mundo.</p>
<p>É impossível viver essa realidade e não pensar no Brasil. Há algumas centenas de metros da minha casa no Sion temos uma favela. Todos nós sabemos dos problemas do nosso país. Bradamos contra a violência, corrupção. E nos esquecemos das mazelas de nossos vizinhos próximos. Discursos reacionários condenam práticas assistencialistas direcionadas àqueles em profunda dificuldade. Todos os dias escolhemos ignorar a realidade de grande parte do nosso Brasil. Ignoramos porque temos outras prioridades, porque nossa ação só pode ser nula e pelo simples fato de poder aproveitar as bênçãos que nos foram concedidas – um vinho que custa o preço de um salário mínimo, um carro que vale o preço de uma casa.</p>
<p>Generalizo a partir do meu próprio comportamento. De quase trintas anos de ignorância consciente. O que acontece é que, ao viver imerso nessa realidade, não é possível ignorar. Não se esquece. Senti extrema tristeza aqui nos meus primeiros dias. Não só pela realidade dos indianos. Mas pela nossa. Pela minha realidade que por muito tempo escolhi ignorar, esquecer.</p>
<p>Não é minha intenção apontar culpados nem cobrar ações práticas. Essas palavras vem do coração e a resposta para o que fazer com isso, é para um mistério ainda a ser desvelado.</p>
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		<title>Na labuta e na folga</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Oct 2011 19:40:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alberto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Minha segunda semana é de transição. Marta, acupunturista espanhola que esteve por aqui três meses, está de partida. Os acupunturistas indianos retornam de férias. Já havia conhecido Megna, que trabalha pelas manhãs e tem uma técnica de inserção de agulhas excelente; Sattish, trabalha nos dias em que atendemos homens, terças e quintas, e demonstra entusiasmo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1905.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-871" title="DSC_1905" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1905-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Minha segunda semana é de transição. Marta, acupunturista espanhola que esteve por aqui três meses, está de partida. Os acupunturistas indianos retornam de férias. Já havia conhecido Megna, que trabalha pelas manhãs e tem uma técnica de inserção de agulhas excelente; Sattish, trabalha nos dias em que atendemos homens, terças e quintas, e demonstra entusiasmo, competência e enorme vontade de aprender; Geeta, que me acompanha na clínica de Bandra Station, tem enorme empatia com pacientes.</p>
<p>Desde os tempos de ambulatório na escola de acupuntura não atendia tantos pacientes e descobri algo: não consigo trabalhar sem ser meticuloso. Mesmo em um ambulatório cheio, com as dificuldades linguísticas não consigo agir de forma diferente. Ao me deparar com um paciente, procuro obter todas as informações necessárias para definir o melhor tratamento.</p>
<p>Há alguns casos sem muita resolução e de longo tratamento. Isso é normal na prática clínica. Em alguns pacientes não conseguimos os resultados esperados por uma série de fatores ao qual nos foge o controle. Isso causa enorme frustração no terapeuta, que tenta buscar explicações pelo insucesso. Nesses casos, a avaliação constante é obrigatória. Quando trabalhamos sozinhos, essa reavaliação   pode ser realizada sem registro escrito, embora não seja o ideal. No entanto, se trabalhamos em uma equipe com vários acupunturistas diferentes, o registro é a única maneira que temos para avaliar nosso progresso e entender a conduta realizada. Essa é uma ótima forma também de mostrar raciocínio clínico aos meus colegas indianos. Reavaliamos todos esses casos. Começamos pela queixa principal, história detalhada da doença e assim por diante. Insisto na questão da minúcia, que  pede tais casos. Ao tratar pacientes com dor, isso é fundamental, pois a melhora só pode ser realmente atestada pelo próprio paciente e se, não coletarmos sua história correta, corremos o risco de não conseguir avaliar sua evolução.</p>
<p>Sou muito grato à excelente equipe da Barefoot Acupuncturists. Com muita paciência, eles questionam o paciente, repetem as minhas perguntas (e algumas piadas) e juntos conseguimos extrair as questões necessárias. Em alguns casos é extremamente difícil. São vários elementos que contribuem para essa dificuldade. Os indianos possuem várias línguas e dialetos, sendo o hindi o principal. Em Mumbai a língua principal é o Marathi. Mas há pacientes que falam urdu, kachi, entre outros. Então há vezes que o paciente interage com o tradutor em hindi, que por sua vez traduz em inglês para o acupunturista brasileiro. Incrivelmente, funciona.</p>
<div id="attachment_872" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1947.jpg"><img class="size-medium wp-image-872" title="DSC_1947" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1947-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Parte da equipe: Sarah, Geeta, Urjwala, Pooja, Marta e Satish</p></div>
<p>Meu ritmo vem sendo introduzido aos poucos. Estou me adaptando à rotina de Mumbai. É uma cidade incrível. Uma megalópole do segundo país mais populoso do mundo. Muitas pessoas aqui se interessam pelo Brasil e ficam feliz ao saber que temos várias coisas em comum. O povo indiano é feliz e festivo. Apesar de ser alvo de turismo intenso, em Mumbai ainda se comemora a interação com os  estrangeiros.</p>
<p>A cidade é caótica. O trânsito é o mais confuso que já vi na vida. Caminhões, carros e riquixás motorizados disputam espaço com pedestres, ciclistas, cabras e vacas. Há uma certa harmonia curiosa nesse caótico sistema. Todo o espaço existente é ocupado e nessas duas semanas ainda não vi nenhum acidente. A buzina é sem dúvidas o componente mais importante de qualquer veículo e seu uso é incentivado por caminhoneiros – horn ok please – ou algo como buzine, por favor, estampa os pará-choques. E buzinar não é uma afronta, mas simplesmente um aviso de presença.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1895.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-870" title="DSC_1895" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1895-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p>Os trens urbanos são um show a parte. As estações são completamente lotadas e os trens viajam com suas portas abertas e é esse o local preferido de viagem da maioria dos passageiros. Em geral, as mulheres viajam somente no vagão exclusivo para elas, para fugir do assédio sexual que ocorre com frequência nos vagões mistos.</p>
<p>Adoro o tempo na clínica. Fico ansioso para acompanhar a evolução dos pacientes. Tratar pessoas de culturas tão diferentes é algo incrível. Atendo desde crianças de dois anos de idade até idosos de oitenta. Pacientes de burca, homens com a testa pintada, mulheres de sari, me transportam para um mundo que jamais sonhei viver. Aos poucos começo a estabelecer relações mais empáticas com os pacientes. Um dos meus pacientes favoritos é Hussain, um senhor de oitenta anos, proprietário orgulhoso de somente um rim desde 1978 e cuja única queixa é fraqueza – detalhe: ele aparenta ter sessenta anos e é completamente lúcido, uma jóia.</p>
<p>A semana é intensa e eu preciso de uma válvula de escape que a caótica Mumbai não pode oferecer. A solução está no litoral sul de Maharastra, província que tem Mumbai como capital, em Murud Janjira. À seis horas de Mumbai, passando pela odisséia de um ferry e dois ônibus, é um alívio encontrar um lugar tranquilo, por fim. De areias escuras e águas azuis, foi um prazer enorme encontrar com o mar novamente – Mumbai também está no litoral, mas suas praias não são recomendadas devido à poluição. O sul indiano é riquíssimo também em história e em Murud há dois fortes que relembram o período das grandes navegações e das invasões britânicas e portuguesas.</p>
<p><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1957.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-873" title="DSC_1957" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1957-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<div id="attachment_859" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/01.jpg"><img class="size-medium wp-image-859" title="01" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/01-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Estrangeiros se rendem às histórias dos fortes de Murud contadas pelo grande Babasaheb Purandare.&quot;&quot;</p></div>
<p style="text-align: left;">Por sorte, Sarah, a voluntária canadense e eu, somos convidados a visitar o inacessível forte Kasai e de quebra, conhecer um dos maiores historiadores de Maharastra, Babasaheb Purandare. Esse encontro foi inclusive publicado no jornal local por Nitin Shedge, um jornalista local, amigo e guia que nos levou pelos fortes de Murud. No jamais conquistado forte Janjira, somos recebidos por um sujeito com uma toca do Brasil e que gentilmente ajuda os turistas a desembarcar. Ao final da viagem, Nitin sugere realizar uma viagem para Murud para tratar sua grande população carente. É uma idéia que me agrada profundamente.</p>
<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_874" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_2025.jpg"><img class="size-medium wp-image-874 " title="DSC_2025" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_2025-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Babasaheb gravando um documentário sobre Janjira</p></div>
<div id="attachment_876" class="wp-caption aligncenter" style="width: 210px"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_2067.jpg"><img class="size-medium wp-image-876" title="DSC_2067" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_2067-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Brasil na cabeça!</p></div>
<p>Se o sonho de trabalhar com a comunidade carente de Murud ainda é distante, perto são as favelas de Mumbai e segunda o trabalho é intenso. Conhecer o interior da Índia me renova e sigo cada vez mais empolgado.</p>
<div id="attachment_864" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/11.jpg"><img class="size-medium wp-image-864" title="11" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/11-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Nitin Shedge</p></div>
<div id="attachment_862" class="wp-caption aligncenter" style="width: 210px"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/06.jpg"><img class="size-medium wp-image-862" title="06" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/06-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Nitin Shedge</p></div>
<div id="attachment_863" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/10.jpg"><img class="size-medium wp-image-863" title="10" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/10-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Nitin Shedge</p></div>
<div id="attachment_865" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/12.jpg"><img class="size-medium wp-image-865" title="12" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/12-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Nitin Shedge</p></div>
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		<title>Primeiras Impressões</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Oct 2011 17:10:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alberto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[É sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos e enfrentamos o marasmo na clínica da Estação de trem de Bandra. Repasso a semana e organizo as idéias. Sem dúvidas, foi uma semana intensa. Cheguei cedo na clínica na segunda-feira, ansioso para começar o trabalho. Atrás de uma pequena porta de ferro, está a Barefoot Acupuncturists de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1846.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-846" title="DSC_1846" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1846-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">É sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos e enfrentamos o marasmo na clínica da Estação de trem de Bandra. Repasso a semana e organizo as idéias. Sem dúvidas, foi uma semana intensa.</p>
<p style="text-align: justify;">Cheguei cedo na clínica na segunda-feira, ansioso para começar o trabalho. Atrás de uma pequena porta de ferro, está a Barefoot Acupuncturists de Bandra – favela de Mumbai, uma clínica organizada e relativamente confortável. Os pacientes se acumulam na sala de espera enquanto nos preparamos. Walter dirige o lugar com mãos de ferro e observa cada detalhe – “ Essas cadeiras devem ficar enfileiradas&#8230;”, diz enquanto as organiza. Lembrando de sua viagem no dia seguinte, me avisa que eu devo ser responsável por zelar que a clínica fique em ordem durante sua ausência. Mostra orgulhoso o espaço, composto por cinco macas, uma pequena sala de espera e uma copa. À exceção das cadeiras, tudo estava em ordem e começo conhecendo a assistente, Pooja, que acumula as funções de assistente, secretária, tira-agulhas e tradutora. Em seguida conheço Marta, acupunturista espanhola que está no projeto há três meses e também Megna, uma acupunturista indiana que é a responsável pela clínica.</p>
<p style="text-align: justify;">Logo começamos o trabalho. Minha primeira paciente é uma menina de apenas dois anos com dores de cabeça temporais. Ainda conectado ao ritmo tranquilo e metódico do Dr Wang, trabalho tranquilamente se sem pressa, observando e questionando sinais e sintomas, fazendo palpação de canais. Enquanto isso, Marta e Megna correm por todos os lados. Após atender um paciente, Walter se junta a mim. Com olhar examinador, pergunta sobre tudo que faço, desde a escolha dos pontos à manipulação das agulhas. Por ser novo na clínica, recebo os casos antigos  (e em geral sem muita resolução). Bom, se é para funcionar, devo começar tudo novamente e questioná-los como se fosse a primeira que vez.</p>
<p style="text-align: justify;">Não me sinto confortável, confesso. Acostumado ao meu ritmo e minha própria rotina em meu consultório, ser questionado assim não me agrada. É uma questão complexa. Walter criou a forma de trabalho, metodologia e sua prática há anos. Eu estou recém-chegado, turbinado pelo modo polêmico de praticar Medicina Chinesa do Dr Wang. É natural ser visto com desconfiança. Que não é proveniente somente do chefe, mas também da equipe e dos pacientes. E como Medicina Chinesa nem sempre é tiro e queda, só o trabalho e os resultados apagarão esse receio inicial.</p>
<p style="text-align: justify;">Às duas, acabamos o trabalho na clínica de Bandra. Atendemos ao todo vinte e três pacientes. Depois do almoço, um novo turno começa na Clínica da Estação de Trem de Bandra, localizada a dois metros da linha de trem. Enquanto a outra clínica é exemplo de organização, essa é o avesso. Localizada na favela, temos a companhia de uma família inteira que mora em sua porta. O lugar é muito sujo e não há banheiro com água corrente. Aqui nossa realidade se aproxima dos nossos pacientes.</p>
<p style="text-align: justify;">A favela da Estação de Trem de Bandra cerca o terminal de mesmo nome. São pequenos barracos acomodados ao lado dos trilhos. O trem, ao passar, cria grande alvoroço, movimenta pessoas, crianças, cabras, galinhas e cachorros. Walter me leva para uma caminhada em seu interior. Me explica a situação da clínica e as dificuldades encontradas para prospectar pacientes. Os moradores ali falam hindi e urdu, além das barreiras culturais. Enquanto ele fala, minha mente divaga à condição miserável que encontro. Me impacta, me marca. É um dos lugares mais miseráveis que já fui. Ao voltarmos, penso na situação brasileira e nas nossas favelas, tão distantes e ao mesmo tempo, tão próximas e semelhantes.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1871.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-849" title="DSC_1871" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1871-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">No dia seguinte fico mais solto para trabalhar e o faço de forma mais desenvolta. Me despreocupo com as explicações e busco meu estilo, minha forma de trabalho. Aos poucos vou me soltando e o trabalho ocorre de forma mais tranquila. Analiso os principais problemas e desafios. Em muitos casos, temos uma situação muito parecida com as encontradas em favelas e periferias brasileiras. Casos de obesidade acompanhados por disfunções ortopédicas crônicas são os campeões nas fichas de consulta. Uma outra questão é a vida dura que nossos pacientes enfrentam todos os dias. Isso não é algo que se transforma somente com a Acupuntura, mas espero que nosso trabalho seja um pequeno alívio na vida sofrida desse povo simpático e acolhedor. Sei que não resolve e que passa longe do problema principal, mas oferecemos nossa singela contribuição, para que mude pelo menos o dia ou a semana dos nossos pacientes.</p>
<p style="text-align: justify;">Na quarta estamos sem Walter, que rumou para uma curta temporada na Bélgica. Tocamos a clínica com afinco e mantemos o ritmo. Vou me acostumando com os pacientes, com a nova rotina e com os novos colegas, tão importantes não somente na tradução linguística, mas também cultural, como em sua brilhante técnica de avaliar a melhora, relacionando a dor ao dinheiro – “se ficar bom é ter uma rupia (moeda indiana), quanto falta para melhorar?” ao qual o paciente responde: “vinte e cinco centavos” e a tradução chega como: “setenta e cinco por cento de melhora”; simplesmente perfeito.</p>
<p style="text-align: justify;">Se os dias são de muito trabalho, as noites são de festas. Há um festival homenageando um dos muitos deuses venerados na religião hindu. As ruas estão enfeitadas com luzes coloridas e flores e há um palco literalmente em frente à minha casa. Desço para a festa e danço com toda a rua em uma  espécie de quadrilha onde cada grupo de amigos improvisa seus passos no ritmo da canção temperada de batuques executada por uma pomposa banda. Se Mumbai é uma cidade cosmopolita e seus moradores mais abastados conhecem bem o ocidente, em Bandra um ocidental é novidade  e eles ficam extremamente empolgados com minha presença.</p>
<p style="text-align: justify;">Na quinta é feriado, mas abrimos a clinica para abençoar o trabalho. Os aparelhos e materiais são colocados e abençoados em um ritual que conta com frutas, legumes e flores. Me pedem para quebrar um côco e jogar sobre os materiais em cima da mesa. Quebro o côco e faço a festa, jogando água por tudo quanto é lado, para depois perceber os aparelhos de eletroacupuntura, os livros; mas o que é benção não há de prejudicar. Toda a cidade está enfeitada de flores e a clinica também. Recebo de Urjwala flores para colocar também na porta de minha casa.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1878.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-850" title="DSC_1878" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1878-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1908.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-852" title="DSC_1908" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1908-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Nos dias seguintes sigo meu trabalho com mais segurança. Sei o que faço e procuro colocar em prática o conhecimento acumulado. A empreitada não é fácil e trabalhar em um ambiente que não favorece em nada a melhora do paciente é um desafio tão grandioso quanto excitante.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1953.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-853" title="DSC_1953" src="http://www.acupunturachinesa.com.br/wp-content/uploads/2011/10/DSC_1953-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a></p>
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