Dicas para estudar MTC na China

Pequeno guia para estudar sozinho na China

Eu recebo diversas solicitações de gente querendo saber como se faz para estudar na China por períodos prolongados. Como a minha resposta geralmente consiste em mais perguntas, elaborei esse pequeno guia para ajudar o estudante a definir melhor sua viagem e suas condições.

Lembrando que esse não é meu trabalho, não sou ligado à nenhuma instituição chinesa ou brasileira que envia alunos para a China e não ganho dinheiro com isso. Esse guia é apenas uma ajuda às várias pessoas que procuram procurando orientação.
1. Saiba o que quer

É importante, ao programar a viagem, já ter alguns objetivos definidos. Algumas técnicas ou áreas específicas de interesse, determinado professor, todas essas questões ajudarão você a definir o local de estudo. Lembre-se que a China é grande e a prática da acupuntura não é homogênea, variando muito de um local para o outro. Isso também ajudará a orientar o hospital ou instituição contatada para definir um programa que te atenda melhor.

Sugiro escrever e enumerar as prioridades. Nem sempre o local escolhido poderá te atender em todas as solicitações, mas sabendo delas de antemão, certamente é um facilitador.
Por exemplo:
1. Dor;
2. Pulso;
3. Neurologia;
4. Medicina interna.

E por aí vai. Nessas prioridades de estudo eu costumo combinar meus pontos fracos e fortes. Técnicas ou tratamentos que faço bem e tenho boa experiência e outros que tenho mais dificuldade. Isso te faz melhor no que já é bom e complementa aquilo que lhe falta.

Saiba que nenhuma experiência é igual. O que é bom para mim não necessariamente é interessante para você. Quanto mais souber o que quer, mais fácil será para consegui-lo.

2. Tempo de duração

Depois de definidos os objetivos de estudo, defina o tempo e pense como agrupar suas prioridades nesse período. Deixe algum tempo para viajar, pois também é importante.

Lembre-se que em geral o visto de turista é de 1 mês podendo ser estendido por mais 2 meses. Se quiser estudar por um período maior, precisará estar vinculado à alguma instituição de ensino. Essa instituição pode ser uma universidade de MTC, onde eles oferecem cursos básicos de acupuntura ou mesmo uma escola de mandarim. As opções são vastas e variam de acordo com cada cidade. Os hospitais NÃO fornecem visto de estudante.

3. Onde estudar

Após definir o tempo de duração e os objetivos, fica mais fácil escolher o local. Minha sugestão é pesquisar extensivamente na internet.

Todas as universidades de Medicina Chinesa estão na internet, a maioria com sites em inglês. Também é comum achar informações em blogs de gente que veio ou já mora aqui. Além disso, há vários colegas brasileiros que tem boa relação com instituições chinesas, pergunte e pesquise. É possível fazer o contato com essas instituições diretamente e não precisa de intermediários. Mas procure referências antes de fechar.

Tome sua decisão baseada nos seus objetivos. Se quiser estudar Mandarim, por exemplo, dê preferência às cidades do norte, onde ele é mais utilizado. Em algumas regiões do sul, apesar de saberem o mandarim, eles se comunicam em outros dialetos e isso pode atrasar seu aprendizado da língua.

Os hospitais chineses costumam demorar muito para responder e-mails, seja insistente e não fique sem resposta.

4. Inglês é essencial, Mandarim é uma necessidade

Ter um inglês de nível bom é essencial, já que dificilmente encontrará tradutor em português. Conhecer bem os termos da MTC e de medicina ocidental em inglês também é fundamental. Leia livros em inglês e vá se acostumando.
Se não fala inglês, talvez obterá melhor resultados vindo com grupos de estudantes.

Aprenda ao menos o básico em Mandarim. A grande maioria dos chineses não falam inglês e muitas vezes a comunicação fica impossível. Saber dizer para onde vai ou ao menos como pronunciar o nome dos lugares é bastante importante e lhe fará evitar vários transtornos.

 

É importantíssimo saber os nomes dos pontos em chinês. A maioria dos tradutores não sabem a nomenclatura utilizada no ocidente. Saber os nomes em chinês lhe faz ganhar tempo, além de lhe fazer ser mais bem visto aos olhos dos professores. Qualquer livro de acupuntura que se preze tem os nomes em chinês. Sabendo a pronúncia correta, melhor ainda.

5. Experiência prévia

Em geral as instituições ou hospitais não pedem experiência prévia para aceitar estudantes. Eu sugiro no entanto, que se tenha alguma experiência prática antes de vir. Desenvolva um raciocínio clínico próprio, obtenha seus sucessos e conheça-te como profissional e também as necessidades de seus pacientes. Isso lhe ajudará a definir o que busca e também lhe fará ter mais atenção e respeito de professores e colegas. Além de ter a possibilidade de distinguir o básico do avançado e reconhecer melhor bons professores.

 

Claro que, um profissional experiente aprenderá muito com qualquer acupunturista chinês, mas quanto maior o seu nível, mais conseguirá entender o que os melhores fazem, seu raciocínio clínico e aprenderá mais.

 

Ao mesmo tempo, é preciso aproveitar as oportunidades quando elas surgem, se for o caso, não a disperdice.

6. Perca o medo e a frescura

Em um país como a China, a curiosidade é quase que um ato de auto-preservação e garantia de boas aventuras. Não tenha medo de provar novos pratos, de entrar em restaurantes de aspecto duvidoso. Você poderá se surpreender.

Além disso, grandes cidades como Beijing tem restaurantes de todo o mundo, inclusive brasileiros. E é possível encontrar feijão no Carrefour e todos os supermercados chineses vendem panelas de pressão à preços módicos.

Estar aberto à novas experiências poderá lhe ajudar a descobrir coisas novas, conhecer mais da cultura e fazer novos amigos.

 

Ser auto-suficiente é fundamental. Alguns lugares poderão indicar hóteis ou lugares para ficar, mas isso em geral é raro. Já vá se preparando para ter que lidar com questões como moradia, locomoção e alimentação sozinho.

7. Respeite a cultura local e foque no que é importante.

Obviamente, os chineses têm costumes muito diferentes dos brasileiros e ocidentais em geral. Aprenda a respeitá-los e procure focar na cultura chinesa aspectos que lhe interessam e não nos que lhe incomodam. Aprenda a conviver com o que não é legal. Todos nós temos defeitos e é um erro comum de estrangeiros ficarem a reclamar o tempo todo de hábitos chineses. Lembre-se que não há nada que lhe prenda aqui e sua ausência não lhes fará falta alguma.

É extremamente deselegante criticar o país de alguém pelos seus hábitos, assim como nós não gostamos que estrangeiros falem mal do Brasil.

8. Reserve espaço para o inesperado

Por mais que se programe uma viagem, ela sempre reservará algumas surpresas. Tenha isso em mente e esteja preparado para quando acontecer. Não tenha medo de mudar os planos, se assim desejar.

Já na China, vários novos contatos surgem e, com eles, novas possibilidades. Você poderá encontrar dicas de lugares para estudar, técnicas desconhecidas, etc. Questione sempre e encontrará boas respostas. Seja curioso e interessado.

 

 

Espero que tenha ajudado!

 

Alguns links de instituições que aceitam estrangeiros:

Beijing University of Traditional Chinese Medicine

http://www.bucm.edu.cn/en

 

China Beijing International Acupuncture Training Center?CBIATC?

http://www.cbiatc.com/en/index.aspx

 

Nanjing University of Chinese Medicine

http://www.njucm.com/

 

Tianjin University of Traditional Chinese Medicine

http://news12.tjutcm.edu.cn/bencandy.php?fid=18&id=230

 

Chengdu University of Chinese Medicine

http://www.cdutcm.edu.cn/

 

Shanghai University of Chinese Medicine

http://www.shutcm.com/english/

 

2 Comentárioa

  1. Maria S.N.Oliveira
    Postado em 05/28/2013 às 09:35 | Permalink

    Olá gostaria de saber se tem muitos brasileiros fazendo medicina aí na China em 2013 ?
    Obrigada.

  2. Postado em 05/28/2013 às 12:04 | Permalink

    Olá Maria, há vários brasileiros que vem para cá e estudam por um mês, geralmente em grupos de escolas do Brasil. Em universidades, não saberia lhe responder.
    Abs.

    Alberto

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